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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

QUANDO A ESCOLA AJUDA NA VIDA SOCIAL DO ALUNO!!

O que é a profecia autorrealizadora e como ela está presente na escola.

 | Corpo docente
Foto: Shutterstock
Na semana passada, li uma reportagem publicada na Folha de São Paulo que, além de emocionar, ilustra nitidamente nosso tema dessa semana. A matéria relata a experiência de Vidal, um estudante de uma escola pública localizada no bairro com maior taxa de criminalidade de Nova York. Não é difícil imaginar as dificuldades dos profissionais da instituição em lidar diariamente com um público vindo majoritariamente de um meio em que a violência e a marginalidade tornaram-se valores e ferramentas de sobrevivência. Pois bem! Em uma página de uma rede social que diariamente traz perfis de personagens da metrópole norte-americana, ao ser indagado sobre que pessoa mais teria influenciado sua vida, o garoto escolheu a diretora da sua escola.
Ele contou que nos momentos em que um aluno se envolve em uma confusão, em vez de levar suspensão, ele recebe orientação da diretora. A atitude é correta e esperada – apesar de muitas escolas, diante de situações de conflitos, ainda hoje recorrerem às advertências e suspensões acreditando que esses recursos são suficientes para reverter os problemas. Mas o que me chamou atenção foi o conteúdo das orientações e conversas protagonizadas pela diretora. Vidal enfatiza que além de refletir com os meninos sobre as dificuldades que enfrentam por conta da realidade socioeconômica em que estão inseridos, ela também destaca a importância de cada um como ser humano e as possibilidades de realização pessoal e profissional que os estudos – o conhecimento – podem oferecer a cada um deles. Ou seja, a diretora se importa e valoriza cada um dos alunos. O fechamento da história de Vidal vai ficar para o final do post!
Então, vamos ao tema da semana: o conceito de profecia autorrealizadora. Em 1968, dois destacados psicólogos norte-americanos, Robert Rosenthal e Lenore Jacobson, realizaram um trabalho pioneiro que tinha como objetivo testar a hipótese de que os alunos cujos professores tinham expectativas mais positivas em relação ao seu desempenho acadêmico realmente apresentavam melhores resultados. Para a pesquisa ser feita, os docentes foram informados sobre a necessidade de avaliar a eficiência de um novo tipo de teste de inteligência – que foi aplicado a todos os estudantes da escola. Os estudiosos, então, escolheram aleatoriamente 20% dos alunos, mas, para os professores, os estudiosos afirmaram que se tratavam dos estudantes potencialmente capazes de rápido desenvolvimento cognitivo. A diferença de desempenho entre eles, portanto, estava apenas na mente das professoras.
Todos os estudantes refizeram o teste após quatro meses do início das aulas e ao fim do ano letivo. A constatação foi assustadora. De maneira geral, o estudo indicou que os alunos dos quais os professores esperavam melhores desempenhos mostraram de fato melhores resultados. Segundo os autores, os que eram vistos de maneira positiva pelos docentes, ou seja, que são estimulados e reconhecidos por suas boas qualidades, tendem a conquistar mais avanços. Por outro lado, aqueles que não têm reconhecido nenhum valor positivo têm seu desempenho acadêmico comprometido negativamente.
Percebam o tamanho da nossa responsabilidade! Reconhecer as qualidades dos alunos considerados “bons” é muito fácil. Porém, buscar valores positivos – que certamente existem, ainda que escondidos pelas performances desviantes – naqueles que se destacam por comportamentos inadequados e baixo desempenho é bem mais complexo. A maior tendência é que essas meninas e esses meninos caiam no esquecimento ou que sejam constantemente avisados de que não fazem nada certo. E aí, considerando tudo o que já refletimos sobre construção de personalidade e a teoria de Rosenthal e Jacob, ajudamos os nossos alunos mais difíceis a concretizar nossas próprias profecias. Mas é claro que podemos e devemos fazer o contrário disso e sempre lembrar que todo ser humano precisa se sentir valorizado e ter sua importância reconhecida.
Voltando ao Vidal. O depoimento do garoto, descrevendo suas dificuldades e apontando a diretora como sua figura de referência esua autoridade moral,comoveu os leitores. O dono da página onde o relato foi publicado criou uma “vaquinha online” para ajudar a escola e até o momento já foram arrecadados mais de 1 milhão de dólares. O dinheiro será destinado para uma viagem dos alunos a Harvard e para pagar o curso daqueles que forem aceitos por alguma universidade. Deixando de lado os ganhos financeiros – não é esse nosso foco –, a história de Vidal ilustra o quanto nosso papel de educador pode contribuir para transformar a perspectiva de vida de nossos alunos e influenciá-los por escolhas mais éticas.
Deixe aqui seu comentário. Conte uma experiência inspiradora que possa complementar nosso tema!

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

SEXUALIDADE

Violência contra a mulher: quem ama não maltrata

| Corpo e saúde, Ensino Médio, Sexualidade
O tema da violência contra mulher deve ser abordado em sala. Foto: Shutterstock
Sete em cada dez mulheres sofreram ou sofrerão algum tipo de violência ao longo de suas vidas, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Diferentemente do que se pode imaginar, a violência de gênero, não é exclusiva dos adultos. Estudos do Banco Mundial mostram que é muito mais provável, em todo o mundo, uma mulher entre 15 e 44 anos sofrer esse tipo de violência do que de ter câncer, malária, ou se envolver em acidentes de trânsito.
A violência contra mulher origina-se na desigualdade de gêneros, de que tratei na semana passada. A ideia machista de que as mulheres são seres com menos direitos fundamentaria a submissão delas às vontades e desejos dos homens. Infelizmente, este debate é mais atual do que nunca. Nesta semana, uma petição ganhou notoriedade na internet ao pedir que a Polícia Federal brasileira negue a entrada do suiço Julien Blanc, que vem ao Brasil em 2015 para ministrar palestras sobre “como pegar mulheres”. Apertar os pescoços das mulheres ou colocar seus rostos à força em direção à virilha dele são algumas das “táticas” ensinadas. É por essas e tantas outras razões que esse tema precisa ser abordado na Educação Sexual.
Tudo pode começar de forma muito sutil: o namorado demonstra ciúmes, marca em cima…  São atitudes que aos olhos de quem está apaixonada podem parecer grosserias à toa ou até mesmo provas de amor. Até que um dia ele puxa o braço da garota com mais força e a machuca. Será que a menina não precisa ficar esperta e cair fora desse relacionamento?
Se uma aluna chega à escola com uma mancha roxa no braço, o educador deve intervir e conversar em particular com a aluna para descobrir o que houve e, caso se confirme a violência, analisar juntos os prós e contras desse relacionamento e como a menina pode buscar ajuda. A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres colocou à disposição da população um canal de telefone para denunciar a violência doméstica e receber atendimento - número é o 180.
No entanto, mais importante do que oferecer assistência às alunas que sofrem esse tipo de violência é fazer um trabalho de prevenção com todos os alunos, meninas e meninos. Não precisamos esperar acontecer uma tragédia para trazer esse tema à sala de aula. É fundamental que os alunos entendam que quem ama não maltrata.
Meninos e meninas precisam saber que ninguém é propriedade de ninguém. Nós estamos em pleno século 21, a mulher já conquistou vários direitos, entre eles o de não ser tratada como propriedade de alguém. É inadmissível que em nome do amor, ou desse sentimento de propriedade, um homem agrida uma mulher. Desde 2010 a Lei Maria da Penha garante esse direito às mulheres. Isso precisa ser divulgado, trabalhado e analisado desde a adolescência.
Lei Maria da Penha
Essa lei homenageia a biofarmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes, que ficou paraplégica depois de levar um tiro do próprio marido enquanto dormia e conseguiu, depois de lutar por 20 anos, que ele fosse condenado. Além de criar em todos os estados um juizado especial de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, a Lei Maria da Penha alterou o Código Penal, permitindo, principalmente, que agressores sejam presos em flagrante ou tenham a prisão preventiva decretada. A lei também traz uma série de medidas para proteger a mulher agredida, que está em situação de agressão ou cuja vida corre riscos. Essa lei protege as mulheres em relacionamentos estáveis ou eventuais, como o namoro e o ficar.
Sugestão de trabalho na sala de aula
1a etapa
Inicie o trabalho dizendo aos alunos que fará um trabalho muito especial para ambos os sexos, embora aparentemente, pareça favorecer apenas as mulheres. E anuncie o tema: violência contra a mulher.
Pergunte se eles já ouviram falar de alguma situação em que essa violência aconteceu, e pede que contem as formas de violência de que já ouviram falar.
Em seguida, complemente que as formas de violência mais comuns variam da agressão física mais branda (tapas e empurrões), seguida pela violência psíquica (xingamentos, ofensas à conduta moral da mulher) e a ameaça (coisas quebradas, roupas rasgadas, objetos atirados e outras formas indiretas de agressão).
2a etapa
Divida os alunos em quatro grupos, distribua uma folha de papel sulfite para cada e peça que eles criem uma história sobre uma situação que eles julguem ter havido uma violência por parte do namorado contra sua namorada, relatando o contexto em que tudo aconteceu.
Em seguida, recolha as histórias e passe para o grupo seguinte, de tal forma que nenhum grupo fique com sua própria história. Diga aos alunos que eles serão advogados e receberão o caso para analisar e julgar se houve uma violência contra a mulher e quais as medidas que deveriam ser tomadas.
3a etapa
Depois que o trabalho estiver pronto, os grupos devem apresentar para a classe. Faça as complementações necessárias para a compreensão de que essas atitudes são consideradas crime e então apresente a Lei Maria da Penha. Mostre aos alunos que, além de não praticarem essa violência, é muito importante que os meninos se unam às meninas para apoiá-las na prevenção dessas situações.. E que as meninas precisam aprender a não serem condescendentes.
Explique que quando a garota perceber que está sendo agredida, mesmo que seja um “mau jeito”, ela não deve aceitar e precisa fazer algo a respeito. Qualquer tipo de violência deve ser repudiado!  Ninguém deve aceitar ou tentar justificar o ato do outro  que lhe traz dor, sofrimento ou constrangimento. Muito menos, quando isso ocorre por que o homem quer demonstrar sua superioridade.
Várias culturas estimulam e confirmam essa violência no seu dia a dia como uma forma natural de comportamento, o que torna mais difícil o seu combate e a gravidade deste problema. Alerte suas alunas! Diga claramente e sem medo para elas: isto não é amor, é violação dos direitos humanos.