Este blog envolverá todas as atividades desenvolvidas nas turmas de EJA de Jacundá. Também contribuições pedagógicas para todos os educadores interessados em vivenciar e desenvolver uma Educação Emancipatória.
sábado, 3 de agosto de 2013
PLANO DE AULA - GÊNERO CAUSO
PRODUÇÃO
DE TEXTO
O gênero causo não tem valor somente na tradição oral. Ajude a turma a
transformar as histórias contadas oralmente em textos
Causo 'O Lenhador' contado por
Rolando Boldrin no programa Senhor Brasil, da TV Cultura
http://youtu.be/MQ7Qv1urm_c
Objetivos
- Estudar
o gênero causo e suas características.
- Diferenciar
a linguagem oral da escrita, reconhecendo o valor de ambas.
- Aprender
a passar causo do oral para o escrito, conservando suas características.
Conteúdos
- Retextualização.
- Gênero
causo.
Anos
5º e 6º.
Tempo estimado
20 aulas.
5º e 6º.
Tempo estimado
20 aulas.
Material necessário
Cartolinas, livro Alexandre e Outros Heróis (Graciliano Ramos, 206 págs., Ed. Record, tel. 21/2585-2000, 23,90 reais), computador com acesso à internet e gravador.
Cartolinas, livro Alexandre e Outros Heróis (Graciliano Ramos, 206 págs., Ed. Record, tel. 21/2585-2000, 23,90 reais), computador com acesso à internet e gravador.
Desenvolvimento
1ª etapa
Pergunte aos alunos se eles já ouviram algum causo, conhecem pessoas que contam causos e compartilhe a informação de que esse será o gênero estudado a partir de agora. Explique que se trata de uma forma particular de contar histórias típicas do interior, que não são, necessariamente verdadeiras. Se alguma criança se lembrar de algum causo, peça que conte aos colegas.
2ª etapa
Convide a turma para assistir um causo O Lenhador - contado por Rolando Boldrin. Discuta de que se trata o causo, como é a linguagem usada pelo contador e como seria o causo se ele fosse contado com a norma culta da língua. O sentido seria o mesmo? Despertaria risos e gargalhadas da plateia, como as mostradas no vídeo?
3ª etapa
Apresente o livro Alexandre e Outros Heróis para os alunos. Explique que os causos ali apresentados, parte do folclore nordestino, foram escritos por Graciliano Ramos, um importante escritor brasileiro. Leia o primeiro capítulo do livro - Primeira Aventura de Alexandre - em voz alta para a turma. É interessante que as crianças tenham o texto em mãos para acompanharem a leitura. Ao término da leitura converse sobre a escrita do causo, comparando-a com o vídeo assistido. Levante as seguintes questões:
Podemos escrever um causo da mesma maneira que falamos?
O que é necessário conhecer, antes de escrever um causo?
Que características o texto lido tem que ajudam o leitor entender melhor a história?
Quais recursos o autor usa para deixar o texto com características de um causo?
Registre as descobertas em um cartaz que possa ser consultado posteriormente.
4ª etapa
Apresente aos alunos o causo A Mulher do Boticário, contado por Rolando Boldrin. Explique às crianças que a tarefa agora é, coletivamente, passar o causo do oral para o escrito e que esse processo tem o nome de retextualização. Para isso, em primeiro lugar, é necessário ter o causo de Boldrin transcrito na íntegra. Para que os alunos conheçam como é feito o processo de transcrição e as características do material, transcreva os primeiros minutos do vídeo no quadro, destacando a importância de ser fiel à fala do narrador e também de indicar as pausas (com reticências), os marcadores de fala (como né, olha e daí) e a entonação (com pontos de exclamação e interrogação). Peça que a turma transcreva um pequeno trecho seguinte para conhecer como se dá o processo. Depois, distribua cópias da transcrição completa e exponha o mesmo texto no quadro.
5ª etapa
Para prosseguir com o processo de retextualização, ensine aos estudantes o que fazer com o material transcrito. Primeiro, é necessário analisá-lo. Existem muitos termos informais e marcadores de fala? Há vários termos repetidos? Quais? As conjugações verbais são adequadas aos sujeitos das orações?
Peça que as crianças identifiquem essas características fazendo marcações na transcrição utilizando canetas coloridas.
6ª etapa
Agora é hora de a garotada tomar algumas decisões com base nas marcações anteriores para retextualizar, de fato, o causo. Os termos repetidos serão eliminados ou eles são importantes para manter as características do causo em questão? É preciso reordenar os parágrafos para que a produção fique coerente? Quais marcas de oralidade devem ser mantidas? O causo será escrito com o mesmo narrador utilizado pelo contador do causo?
7ª etapa
Com base na transcrição exibida no quadro, comece a reescrita do causo. Você será o escriba: peça que os alunos orientem o que você deve fazer. Esclareça que nesse processo, é importante consultar o texto transcrito e as marcas feitas constantemente, ler e reler o material que está sendo escrito, ir e vir várias vezes, reescrever o que for necessário, inserir e retirar palavras para garantir qualidade ao material. Encerrada a tarefa, leia o causo em voz alta e peça que a turma analise o resultado, comparando-o com o causo do vídeo.
8ª etapa
Organize a classe em trios ou quartetos e selecione um causo para cada um. Explique que a tarefa é retextualizar outros causos. Para selecionar o material a distribuir, você deve buscar outros causos na internet, contados por Boldrin ou por outros contadores, como Almir Sater, que narra A Lenda em https://www.youtube.com/watch?v=jNJJZXodjtU.
Antes de distribuir o material para os alunos, assista aos vídeos previamente para garantir que o conteúdo é adequado à idade da turma. Providencie cópias da transcrição completa para que os trios ou quartetos não percam tempo com essa etapa. Durante a retextualização, é importante circular pela sala, fazendo algumas intervenções diretas e anotando os aspectos que deverão ser retomados. Encerrada a análise da transcrição e iniciada a revisão, interrompa o trabalho e recolha as produções.
9ª etapa
Analise as produções dos trios ou quartetos e escolha uma delas que apresente os erros mais comuns cometidos pelos alunos para apresentá-lo no quadro e promover uma discussão com toda a turma. Converse sobre a importância dos sinais de pontuação, o tempo verbal, as marcas da oralidade, as repetições de palavras (oriente para as substituições pronominais e lexicais) e também sobre as marcas de oralidade mantidas.
10ª etapa
Devolva as produções dos trios ou quartetos com bilhetes, trecho a trecho, se necessário, para que os estudantes voltem a trabalhar no material, a fim de melhorá-lo. Lembre-se de fazer anotações que instiguem e direcionem a turma. Evite deixar marcações diretivas ou correções explícitas.
11ª etapa
A próxima etapa de revisão de cada causo não será feita por nenhum integrante do trio ou do quarteto e sim por colegas de outros grupos. Esse distanciamento do texto (e a consequente proximidade com o texto de outra pessoa) é valioso para que as crianças pensem sobre diferentes formas de escrever, conheçam novos recursos, se deparem com outros problemas e tenham de resolvê-los. Encerrada essa etapa, providencie a devolução do material para os grupos e peça que eles finalizem a retextualização. Recolha os causos e analise o material.
Avaliação
Como tarefa de casa, peça que as crianças procurem entre os familiares e conhecidos, alguém que conheça um bom causo para contar para a turma e que possa ir até à escola narrar a história. A tarefa da classe será retextualizar o causo coletivamente. Oriente a turma a organizar a gravação do causo e discuta com a sala a importância desse procedimento e os perigos de confiar a tarefa à memória. Características importantes podem ser perdidos, tal como a variação na entonação da fala do narrador e detalhes sobre o causo. Encerrada a apresentação do causo, oriente todo o processo de retextualização. Para que a garotada não perca tempo com o processo de transcrição, lembre-se de entregá-la pronta ao grupo.
1ª etapa
Pergunte aos alunos se eles já ouviram algum causo, conhecem pessoas que contam causos e compartilhe a informação de que esse será o gênero estudado a partir de agora. Explique que se trata de uma forma particular de contar histórias típicas do interior, que não são, necessariamente verdadeiras. Se alguma criança se lembrar de algum causo, peça que conte aos colegas.
2ª etapa
Convide a turma para assistir um causo O Lenhador - contado por Rolando Boldrin. Discuta de que se trata o causo, como é a linguagem usada pelo contador e como seria o causo se ele fosse contado com a norma culta da língua. O sentido seria o mesmo? Despertaria risos e gargalhadas da plateia, como as mostradas no vídeo?
3ª etapa
Apresente o livro Alexandre e Outros Heróis para os alunos. Explique que os causos ali apresentados, parte do folclore nordestino, foram escritos por Graciliano Ramos, um importante escritor brasileiro. Leia o primeiro capítulo do livro - Primeira Aventura de Alexandre - em voz alta para a turma. É interessante que as crianças tenham o texto em mãos para acompanharem a leitura. Ao término da leitura converse sobre a escrita do causo, comparando-a com o vídeo assistido. Levante as seguintes questões:
Podemos escrever um causo da mesma maneira que falamos?
O que é necessário conhecer, antes de escrever um causo?
Que características o texto lido tem que ajudam o leitor entender melhor a história?
Quais recursos o autor usa para deixar o texto com características de um causo?
Registre as descobertas em um cartaz que possa ser consultado posteriormente.
4ª etapa
Apresente aos alunos o causo A Mulher do Boticário, contado por Rolando Boldrin. Explique às crianças que a tarefa agora é, coletivamente, passar o causo do oral para o escrito e que esse processo tem o nome de retextualização. Para isso, em primeiro lugar, é necessário ter o causo de Boldrin transcrito na íntegra. Para que os alunos conheçam como é feito o processo de transcrição e as características do material, transcreva os primeiros minutos do vídeo no quadro, destacando a importância de ser fiel à fala do narrador e também de indicar as pausas (com reticências), os marcadores de fala (como né, olha e daí) e a entonação (com pontos de exclamação e interrogação). Peça que a turma transcreva um pequeno trecho seguinte para conhecer como se dá o processo. Depois, distribua cópias da transcrição completa e exponha o mesmo texto no quadro.
5ª etapa
Para prosseguir com o processo de retextualização, ensine aos estudantes o que fazer com o material transcrito. Primeiro, é necessário analisá-lo. Existem muitos termos informais e marcadores de fala? Há vários termos repetidos? Quais? As conjugações verbais são adequadas aos sujeitos das orações?
Peça que as crianças identifiquem essas características fazendo marcações na transcrição utilizando canetas coloridas.
6ª etapa
Agora é hora de a garotada tomar algumas decisões com base nas marcações anteriores para retextualizar, de fato, o causo. Os termos repetidos serão eliminados ou eles são importantes para manter as características do causo em questão? É preciso reordenar os parágrafos para que a produção fique coerente? Quais marcas de oralidade devem ser mantidas? O causo será escrito com o mesmo narrador utilizado pelo contador do causo?
7ª etapa
Com base na transcrição exibida no quadro, comece a reescrita do causo. Você será o escriba: peça que os alunos orientem o que você deve fazer. Esclareça que nesse processo, é importante consultar o texto transcrito e as marcas feitas constantemente, ler e reler o material que está sendo escrito, ir e vir várias vezes, reescrever o que for necessário, inserir e retirar palavras para garantir qualidade ao material. Encerrada a tarefa, leia o causo em voz alta e peça que a turma analise o resultado, comparando-o com o causo do vídeo.
8ª etapa
Organize a classe em trios ou quartetos e selecione um causo para cada um. Explique que a tarefa é retextualizar outros causos. Para selecionar o material a distribuir, você deve buscar outros causos na internet, contados por Boldrin ou por outros contadores, como Almir Sater, que narra A Lenda em https://www.youtube.com/watch?v=jNJJZXodjtU.
Antes de distribuir o material para os alunos, assista aos vídeos previamente para garantir que o conteúdo é adequado à idade da turma. Providencie cópias da transcrição completa para que os trios ou quartetos não percam tempo com essa etapa. Durante a retextualização, é importante circular pela sala, fazendo algumas intervenções diretas e anotando os aspectos que deverão ser retomados. Encerrada a análise da transcrição e iniciada a revisão, interrompa o trabalho e recolha as produções.
9ª etapa
Analise as produções dos trios ou quartetos e escolha uma delas que apresente os erros mais comuns cometidos pelos alunos para apresentá-lo no quadro e promover uma discussão com toda a turma. Converse sobre a importância dos sinais de pontuação, o tempo verbal, as marcas da oralidade, as repetições de palavras (oriente para as substituições pronominais e lexicais) e também sobre as marcas de oralidade mantidas.
10ª etapa
Devolva as produções dos trios ou quartetos com bilhetes, trecho a trecho, se necessário, para que os estudantes voltem a trabalhar no material, a fim de melhorá-lo. Lembre-se de fazer anotações que instiguem e direcionem a turma. Evite deixar marcações diretivas ou correções explícitas.
11ª etapa
A próxima etapa de revisão de cada causo não será feita por nenhum integrante do trio ou do quarteto e sim por colegas de outros grupos. Esse distanciamento do texto (e a consequente proximidade com o texto de outra pessoa) é valioso para que as crianças pensem sobre diferentes formas de escrever, conheçam novos recursos, se deparem com outros problemas e tenham de resolvê-los. Encerrada essa etapa, providencie a devolução do material para os grupos e peça que eles finalizem a retextualização. Recolha os causos e analise o material.
Avaliação
Como tarefa de casa, peça que as crianças procurem entre os familiares e conhecidos, alguém que conheça um bom causo para contar para a turma e que possa ir até à escola narrar a história. A tarefa da classe será retextualizar o causo coletivamente. Oriente a turma a organizar a gravação do causo e discuta com a sala a importância desse procedimento e os perigos de confiar a tarefa à memória. Características importantes podem ser perdidos, tal como a variação na entonação da fala do narrador e detalhes sobre o causo. Encerrada a apresentação do causo, oriente todo o processo de retextualização. Para que a garotada não perca tempo com o processo de transcrição, lembre-se de entregá-la pronta ao grupo.
Durante o processo de retextualização, observe a
linguagem utilizada no texto, os aspectos discutidos nas revisões, os avanços
que os alunos tiveram na escrita, estruturação e pontuação. Analise também como
a turma se apropriou dos elementos típicos do gênero causo e se lançou mão
deles com pertinência.
Consultoria Claudia Tondato
Professora da EMEF Professor Rosalvito Cobra, em São Caetano do Sul, SP.
Professora da EMEF Professor Rosalvito Cobra, em São Caetano do Sul, SP.
INDISCIPLINA E GESTÃO DA SALA DE AULA
Indisciplina e
gestão da sala de aula
REVISTA - GESTÃO ESCOLAR
Procuro deixar claro aos meus
professores quais casos de indisciplina devem ser resolvidos em sala de aula e
quais precisam ser encaminhados aos gestores
O termo indisciplina costuma ser
bastante associado ao ambiente escolar, mas tenho para mim que a questão da
indisciplina é social. Não acontece somente na escola ou na sala de aula.
Diariamente, nos deparamos com comportamentos inadequados praticados por
pessoas de diferentes faixas etárias, das mais variadas profissões, e em
ocasiões distintas (no trânsito, no trabalho, na rua).
Penso que a indisciplina na escola e na
sala de aula deve ser discutida coletivamente e compartilho com a ideia de
Celso dos Santos Vasconcelos a respeito da construção da disciplina consciente
e interativa nesses ambientes. O autor aborda a importância da ética e da
construção da autonomia como forma de diminuir a incidência de casos de
indisciplina.
Na minha escola, aplicamos este
conceito conversando, dialogando com a criança a respeito do acontecido, para
que ela “pense” sobre a ação. Conversar individualmente com o aluno, que teve
algum ato de indisciplina dá bastante resultado, aliás, são estes momentos que
nos levam a compreender, muitas vezes, determinados comportamentos e assim,
fazermos as orientações necessárias.
É comum que os professores se deparem
com problemas disciplinares em seu cotidiano e em seu espaço de trabalho, ou
seja, na sala de aula. E nós coordenadores, como podemos ajudar os professores
no enfrentamento desse problema? Cabe a nós darmos a solução para a questão da
indisciplina na sala de aula? Não se trata bem disso, pois esta é uma questão
para pensarmos no coletivo da escola.
O papel do coordenador no combate à
indisciplina
Não podemos resolver os problemas de
indisciplina na sala de aula, mesmo porque não é nossa função, mas penso que
podemos e devemos ajudar os professores no enfrentamento desse problema. Como?
Proporcionando a eles a discussão de algumas questões:
- É necessário identificar os tipos de
indisciplina que acontecem na sala de aula. Há casos e casos, certo? Um mais
graves, outros menos. Por isso, é necessário conhecer diferentes formas de
conduzi-los. Por exemplo, alunos que não fazem tarefa ou alunos faltosos
precisam de um tipo de orientação. Alunos que agridem verbalmente e/ou
fisicamente os colegas, de outro. Os que rabiscam as carteiras, de um terceiro
modo. Fazer os professores perceberem que são vários os atos de indisciplina e
não dá para tratá-los do mesmo modo é o primeiro passo.
- O professor é o gestor da sala de
aula. Cabe a ele gerir todo o processo de ensino e aprendizagem dos alunos,
além de cuidar do relacionamento interpessoal dele com as crianças e delas
entre si. O professor, como um bom comunicador e formador de opinião, deve se
preocupar com as questões de indisciplina de sua turma e, em diálogo com os
alunos, formar atitudes (de respeito, solidariedade, companheirismo) positivas
e favoráveis para o bom relacionamento de todos e, principalmente, para que o
ensino se transforme em aprendizagem.
Quando o professor deve
encaminhar casos de indisciplina para a direção da escola?
Não são todos os problemas que precisam
ser encaminhados para a direção. Se assim acontecer, pratica-se a “síndrome do
encaminhamento”, ou seja, atos corriqueiros são encaminhados à direção da
escola.
É tarefa dos gestores deixar claro aos
professores quais são essas situações. Por exemplo, crianças que fazem
comentários maldosos dos colegas (discriminação racial), que não acatam as
orientações dos professores. É comum crianças cometerem os mesmos atos de
indisciplina por mais de uma vez. Quando isso acontece é hora de encaminhar
para a direção. Chamar os responsáveis para trabalharem em parceria com a
escola é uma estratégia que precisa ser praticada incansavelmente.
A importância dos
registros
Não dá para encaminhar alunos que
praticaram atos de indisciplina, na sala de aula, à direção sem descrição do
ocorrido. Na minha escola, os professores não me chamam para resolver problemas
de indisciplina na sala de aula. Temos um combinado. Quando o caso é grave, ele
deve encaminhar o aluno para a direção da escola. Este é acompanhado por um
funcionário juntamente com o registro do ocorrido. Esse registro é simples e
garante que quem vai cuidar do caso compreenda o que aconteceu e tome as
providências. Disponibilizo aqui nosso registro padrão. Temos um
lugar em que todos os registros de indisciplina ficam arquivados,
possibilitando, assim, saber o que aconteceu para passarmos aos pais e ao
Conselho Tutelar caso seja necessário chamá-los.
E vocês coordenadores, como tratam com
seus professores a questão da indisciplina na sala de aula? Vocês abrem espaço
para essa discussão?
Um beijo, Maria Inês.sexta-feira, 2 de agosto de 2013
ROTEIRO - PRODUÇÃO DE TEXTO - VÍDEO
O roteiro em 1 minuto: Produção de texto - 1º e 2º anos
História local e do cotidiano para 1º, 2º e 3º anos
http://youtu.be/qzJRk-fQXlA
Eskema - Níveis Da Aprendizagem - Esther Pillar Grossi
Acabo de escrever este texto para
a nova edição da Aula-Entrevista.
Por que silábico-alfabético (SA) não é um nível psicogenético?
Porque não se estrutura como um esquema de pensamento, eskema. Um nível tem as características de uma miniestrutura lógica: deve ter compatibilidade de hipóteses e deve ter certo fechamento e certa completude, o que configura um esquema de pensamento.
Ora, falta um eskema ao equivocadamente denominado nível silábico-alfabético(SA).
Interferência de outro eixo
Existe, sim, uma produção escrita com aparências silábico-alfabéticas. O alfabetizando representa, algumas vezes, uma sílaba oral com uma só letra, o que é típico da vivência da hipótese silábica. Porém, o faz por interferência de outro eixo na trajetória rumo à leitura e à escrita, que é o do conhecimento das letras. Neste eixo ele simplifica a escrita de sílabas porque elas correspondem ao nome de uma letra, como em ddo para dedo, lc para hélice, hto para gato, bb para bebê, etc.
Não se trata de regressão ou permanência na hipótese de que cada sílaba oral é representada por uma e somente por uma letra. Vê-se que esta hipótese já está superada através das sílabas que ele representa com mais de uma letra.
Diferença entre processo e produto
O equívoco de considerar silábico-alfabético como nível pode vir da dificuldade de compreender a diferença entre processo e produto. Considerando somente o produto, isto é, a escrita de glo para gelo, a de zba para zebra pode parecer mescla de duas hipóteses quanto à organização das sílabas, a silábica (S) e a alfabética (A). É tão somente a utilização do nome da letra como se fora uma sílaba, ao produzir escritas. Vê-se que os alunos já superaram a hipótese silábica quando escrevem algumas sílabas só com uma letra na escrita de outras sílabas com duas letras. Didaticamente, importa provocá-los a distinguirem escrita de letras, dos nomes que as letras têm.
Eskema – esquema de pensamento
Esquema de pensamento, que já passou a ser grafado em português como eskema, é o que move nossa inteligência quando queremos responder uma pergunta ou produzir um efeito.
Eskema no PS1
Quando uma criança se pergunta como se escreve ou onde e como se lê, o seu primeiro eskema assenta-se sobre a hipótese de que escrever é desenhar e que ler é interpretar imagens. Esta hipótese, por sua vez, tem por trás a ideia de que escrever é por no papel a figura do que se quer ver escrito. Escrever é, pois, representar concretamente, com forma exterior, o referente desejado. Deriva daí que só se escreve o que pode ser representado figurativamente. Há um fechamento lógico entre os elementos conceituais que estão por de trás da escrita de um aprendente no nível Pré-silábico 1. A completude deste fechamento é que se constitui no motor que dá surgimento às escritas com figuras do PS1. Para deixar de produzir este tipo de escrita o aluno tem que abandonar o eskema que o gerava e isto significa uma passagem de nível psicogenético.
Eskema no PS2
Do nível PS1 ele passa para o PS2 no qual o seu eskema, é completamente diferente do anterior. Agora ele já deu um enorme passo cognitivo – escrever não é desenhar, não é por no papel os traços figurativos dos referentes. Escrever é passar do figurativo para outro tipo de relação com a forma dos referentes. A escrita passa a ser concebida como um traçado próprio, sem ter mais relação com os traços figurativos do que se escreve.
No nível pré-silábico 2 a escrita é logográfica, isto é, é vista como um traçado que representa uma palavra inteira. Esta escrita não tem nenhuma vinculação com a pronúncia daquilo quue se escreve. Há novamente um fechamento com clara completude, um eskema capaz de levar o aprendente a gerar escritas com essas características.
Eskema no S
Passar a levar em conta a pronúncia ao escrever é um novo grande passo, que contrasta radicalmente com o eskema do nível PS²2. A descoberta da vinculação entre fala e escrita inaugura o período de fonetização nesta caminhada apaixonante do aprendente rumo à alfabetização. Ela instala um novo e surpreendente eskema, ou seja, um novo esquema que orienta os pensamentos e a ação. E ele tem, portanto, fechamento e completude novamente. A base deste eskema é que a cada sílaba oral escreve-se uma letra ou algum outro sinal gráfico. Trata-se de uma vinculação simplificada da escrita com a pronúncia das palavras, pois vincula-se apenas as sílabas orais às letras.
Mas há uma coerência lógica entre as ideias que embasam o eskema do candidato a leitor.
Porém, surge o momento em que o aprendente se dá conta da inadequação da sua escrita, porque ela não é discriminativa suficientemente. Apenas uma letra para cada sílaba é muito pobre para que alguém se faça entender por escrito.
Eskema no A
Ele entra, então, depois de suportar a dor da perda do eskema do nível silábico no nível alfabético, no qual o aprendente se dá conta de uma vinculação mais fina entre sons falados e grafias.
Ele pensa descobrir, muitas vezes emocionado, que a cada vez que se abre a boca para pronunciar um palavra se deve escrever duas letras ou, simplesmente, dois sinais gráficos.
Para tal, ele é obrigado a abandonar a hipótese silábica, na qual se escreve uma letra para cada sílaba oral.
Ele passa a utilizar um outro eskema diferente do silábico que o leva a produzir escritas alfabéticas.
Numa psicogênese, dois eskemas não convivem entre si. Dialeticamente, um substitui o outro.
Ruptura entre níveis
Vê-se claramente que aprender é transitar eskemas independentes entre si, cujo trânsito implica obrigatoriamente numa ruptura entre o atual e o anterior. Assim como foi impossível compatibilizar a ideia de que o Sol girava em torno da Terra, amplamente acreditada por muitos cientistas e por muito tempo, e a constatação de que é a Terra que gira em torno do Sol passar de um nível psicogenético a outro não pode ser por conexão, por um transcurso contínuo.
Portanto, pensar-se um eskema para um pseudo nível silábico-alfabético seria negar o princípio fundante de um eskema – fechamento e completude, que são o combustível do motor que produz as aprendizagens.
Por que silábico-alfabético (SA) não é um nível psicogenético?
Porque não se estrutura como um esquema de pensamento, eskema. Um nível tem as características de uma miniestrutura lógica: deve ter compatibilidade de hipóteses e deve ter certo fechamento e certa completude, o que configura um esquema de pensamento.
Ora, falta um eskema ao equivocadamente denominado nível silábico-alfabético(SA).
Interferência de outro eixo
Existe, sim, uma produção escrita com aparências silábico-alfabéticas. O alfabetizando representa, algumas vezes, uma sílaba oral com uma só letra, o que é típico da vivência da hipótese silábica. Porém, o faz por interferência de outro eixo na trajetória rumo à leitura e à escrita, que é o do conhecimento das letras. Neste eixo ele simplifica a escrita de sílabas porque elas correspondem ao nome de uma letra, como em ddo para dedo, lc para hélice, hto para gato, bb para bebê, etc.
Não se trata de regressão ou permanência na hipótese de que cada sílaba oral é representada por uma e somente por uma letra. Vê-se que esta hipótese já está superada através das sílabas que ele representa com mais de uma letra.
Diferença entre processo e produto
O equívoco de considerar silábico-alfabético como nível pode vir da dificuldade de compreender a diferença entre processo e produto. Considerando somente o produto, isto é, a escrita de glo para gelo, a de zba para zebra pode parecer mescla de duas hipóteses quanto à organização das sílabas, a silábica (S) e a alfabética (A). É tão somente a utilização do nome da letra como se fora uma sílaba, ao produzir escritas. Vê-se que os alunos já superaram a hipótese silábica quando escrevem algumas sílabas só com uma letra na escrita de outras sílabas com duas letras. Didaticamente, importa provocá-los a distinguirem escrita de letras, dos nomes que as letras têm.
Eskema – esquema de pensamento
Esquema de pensamento, que já passou a ser grafado em português como eskema, é o que move nossa inteligência quando queremos responder uma pergunta ou produzir um efeito.
Eskema no PS1
Quando uma criança se pergunta como se escreve ou onde e como se lê, o seu primeiro eskema assenta-se sobre a hipótese de que escrever é desenhar e que ler é interpretar imagens. Esta hipótese, por sua vez, tem por trás a ideia de que escrever é por no papel a figura do que se quer ver escrito. Escrever é, pois, representar concretamente, com forma exterior, o referente desejado. Deriva daí que só se escreve o que pode ser representado figurativamente. Há um fechamento lógico entre os elementos conceituais que estão por de trás da escrita de um aprendente no nível Pré-silábico 1. A completude deste fechamento é que se constitui no motor que dá surgimento às escritas com figuras do PS1. Para deixar de produzir este tipo de escrita o aluno tem que abandonar o eskema que o gerava e isto significa uma passagem de nível psicogenético.
Eskema no PS2
Do nível PS1 ele passa para o PS2 no qual o seu eskema, é completamente diferente do anterior. Agora ele já deu um enorme passo cognitivo – escrever não é desenhar, não é por no papel os traços figurativos dos referentes. Escrever é passar do figurativo para outro tipo de relação com a forma dos referentes. A escrita passa a ser concebida como um traçado próprio, sem ter mais relação com os traços figurativos do que se escreve.
No nível pré-silábico 2 a escrita é logográfica, isto é, é vista como um traçado que representa uma palavra inteira. Esta escrita não tem nenhuma vinculação com a pronúncia daquilo quue se escreve. Há novamente um fechamento com clara completude, um eskema capaz de levar o aprendente a gerar escritas com essas características.
Eskema no S
Passar a levar em conta a pronúncia ao escrever é um novo grande passo, que contrasta radicalmente com o eskema do nível PS²2. A descoberta da vinculação entre fala e escrita inaugura o período de fonetização nesta caminhada apaixonante do aprendente rumo à alfabetização. Ela instala um novo e surpreendente eskema, ou seja, um novo esquema que orienta os pensamentos e a ação. E ele tem, portanto, fechamento e completude novamente. A base deste eskema é que a cada sílaba oral escreve-se uma letra ou algum outro sinal gráfico. Trata-se de uma vinculação simplificada da escrita com a pronúncia das palavras, pois vincula-se apenas as sílabas orais às letras.
Mas há uma coerência lógica entre as ideias que embasam o eskema do candidato a leitor.
Porém, surge o momento em que o aprendente se dá conta da inadequação da sua escrita, porque ela não é discriminativa suficientemente. Apenas uma letra para cada sílaba é muito pobre para que alguém se faça entender por escrito.
Eskema no A
Ele entra, então, depois de suportar a dor da perda do eskema do nível silábico no nível alfabético, no qual o aprendente se dá conta de uma vinculação mais fina entre sons falados e grafias.
Ele pensa descobrir, muitas vezes emocionado, que a cada vez que se abre a boca para pronunciar um palavra se deve escrever duas letras ou, simplesmente, dois sinais gráficos.
Para tal, ele é obrigado a abandonar a hipótese silábica, na qual se escreve uma letra para cada sílaba oral.
Ele passa a utilizar um outro eskema diferente do silábico que o leva a produzir escritas alfabéticas.
Numa psicogênese, dois eskemas não convivem entre si. Dialeticamente, um substitui o outro.
Ruptura entre níveis
Vê-se claramente que aprender é transitar eskemas independentes entre si, cujo trânsito implica obrigatoriamente numa ruptura entre o atual e o anterior. Assim como foi impossível compatibilizar a ideia de que o Sol girava em torno da Terra, amplamente acreditada por muitos cientistas e por muito tempo, e a constatação de que é a Terra que gira em torno do Sol passar de um nível psicogenético a outro não pode ser por conexão, por um transcurso contínuo.
Portanto, pensar-se um eskema para um pseudo nível silábico-alfabético seria negar o princípio fundante de um eskema – fechamento e completude, que são o combustível do motor que produz as aprendizagens.
terça-feira, 23 de julho de 2013
OBRAS DE ARTE - ON LINE
Olá educadores!
Visitem esse site e vejam belas obras de arte.
Visitem esse site e vejam belas obras de arte.
Totalmente gratuita, a plataforma já tem parceria com 275 galerias e 50 museus. http://canaldoensino.com.br/ blog/ plataforma-digital-gratuita-apr oxima-pessoas-da-arte
terça-feira, 2 de julho de 2013
INSTITUTO NACIONAL DE EDUCAÇÃO DE SURDOS
VISITEM O
INSTITUTO NACIONAL DE EDUCAÇÃO DE SURDOS
MUITAS OPORTUNIDADES DE APRENDIZAGEM.
http://www.ines.gov.br/default.aspx
OPORTUNIDADE DE APERFEIÇOAMENTO A DISTÃNCIA
http://neadsenaies.com.br/blog/
VISITEM O PORTAL DA EDUCAÇÃO!!!!!
VISITEM O PORTAL DA EDUCAÇÃO!!!!!
Curso Mudança de Hábito: comportamentos que devem ser desaprendidos pelo docente
Com o curso o aluno será capaz de analisar, discutir, refletir e aplicar os enfoques teóricos que alicerçam a ação pedagógica do professor em sala de aula. A finalidade é oferecer maior embasamento para que profissionais saibam se comportar, refletir, questionar e interferir de maneira positiva em sala de aula visando ao desenvolvimento dos alunos e da instituição em que atuam e ao bem-estar da sociedade.
Público-alvo:
Ter mais de 16 anos, ensino médio completo, ser estagiário ou empregado do sistema Findes envolvido com o atendimento a clientes externos.
Duração das aulas:
O curso tem duração aproximada de 2 meses. O aluno é orientado a estudar 10 horas semanais (2 hora de estudos/dia útil).
Carga horária: 85 horas
Metodologia:
A metodologia de ensino é composta por elementos e ferramentas próprios da educação a distância, como exercícios interativos, fóruns, vídeos, áudios e outros recursos audiovisuais.
Durante o curso, o aluno estuda em um ambiente composto por uma rede social em que receberá orientações do tutor quanto às atividades a serem cumpridas e partilhará da opinião do aluno fictício Prof. Antero. Além disso, receberá dicas de livros, filmes, vídeos e sites que tratam do tema relacionado à aula.
Conteúdo programático:
O conteúdo está dividido em quatro unidades em que será discutido um tema pertinente ao universo escolar. Os temas são: desaprender o hábito de ensinar e aprender; desaprender o hábito de planejar; desaprender o hábito de se comportar em sala de aula; desaprender o hábito de avaliar a aprendizagem.
Núcleo de Educação a Distância - Rua Tupinambás, 240. SESI Jardim da Penha, Vitória, ES. Cep: 29060-810
segunda-feira, 1 de julho de 2013
SEMANA DA PÁTRIA O - HINO NACIONAL
Estudo do Hino Nacional
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante
E o sol da liberdade em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Ó Pátria amada
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil.
Pátria amada,
Brasil!
Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais
fl ores,
Nossos bosques têm mais vida
Nossa vida, no teu seio, mais amores.
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado
E diga o verde-louro dessa flâmula
Paz no futuro e glória no passado.
Mas se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra, adorada
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil
Pátria amada,
Brasil!
Dados
sobre os autores
Joaquim Osório Duque Estrada nasceu em Pati do Alferes (RJ)
em 1870 e faleceu em 1927, no Rio de Janeiro. Professor do Colégio D. Pedro II
e da Escola Normal, foi poeta e crítico literário. Obras principais: A Arte de
Fazer Versos, Crítica e Polêmica. Francisco Manuel da Silva nasceu em 1795 no
Rio de Janeiro, onde faleceu em 1865. Dedicou -se à música desde a infância,
fundando a Sociedade Beneficente Musical e o Conservatório de Música do Rio de
Janeiro.
Curiosidades
No hino brasileiro aparecem
várias palavras referindo-se à bandeira. A origem da bandeira é muito antiga. Os romanos usavam um molho de
palha nas pontas das lanças para marcar sua presença. Na Idade Média, o uso das bandeiras
e insígnias generalizou-se. Os cavaleiros, para serem reconhecidos, usavam
distintivos na armadura ou nos elmos com que cobriam a cabeça. Os cruzados
colocavam panos coloridos nas pontas de hastes para se identificarem.
Os símbolos mais usados eram o
pendão, bandeira armada em vara atravessada horizontalmente sobre o mastro
(Salve lindo pendão da esperança...- hino à bandeira); a bandeira real, só desfraldada
na hora do combate; o guião, sinal peculiar do príncipe ou do senhor; o lábaro
ou estandarte, bandeira que indicava a presença do rei, e o gonfalão, bandeira
de guerra com três ou quatro pontas pendentes.
Estudo do vocabulário
1. Faça a ligação entre as palavras do hino e seus
significados, usando as letras:
a) fúlgidos
b) penhor
c) Salve!
d) florão
e) garrida
f) lábaro
g) flâmula
h) clava
i) plácidas
j) brado
l) retumbante
m) idolatrada
n) vívido
o) formoso
p) impávido
q) colosso
r) esplêndido
s) seio
t) fulguras
( ) calmas,
tranqüilas, serenas
( ) que ressoa,
ecoante
( ) belo, gracioso
( ) brilhante,
luminoso
( ) destemido, arrojado
( ) grito, clamor
( ) adorada,
venerada, amada
( ) interior, âmago
( ) admirável,
magnífico, grandioso
( ) cintilas,
realças, brilhas
( ) brilhantes,
resplandecentes
( ) garantia, prova
( ) passe bem, tenha
saúde
( ) adorno,
enfeite, ornamento
( ) alegre, vistosa
( ) bandeira,
estandarte
( ) bandeira,
galhardete
( ) arma, tacape
( ) gigante
2. Observe os adjetivos sublinhados no texto.
a) O significado que eles contêm são positivos ou negativos?
b) Por que o autor escolhe adjetivos com este tipo de
significado?
3. O que valorizaria um simples riacho (Ipiranga) a ponto de
ser citado no hino oficial do país?
4. Por que Cruzeiro (v. 15) está escrito com letra
maiúscula?
5. No verso 29, o hino cita Novo Mundo. Por que o autor da
letra usou tal expressão. Explique.
6. Leia o poema Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, e
responda:
Canção do Exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem quinda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
(Coimbra, julho de 1843)
Qual estrofe deste poema foi incorporada ao Hino Nacional?
7. Segundo o autor da
letra, o país passou a ter liberdade com independência.
a) A que tipo de liberdade se refere?
b) Pelas idéias expressas no
texto, essa liberdade foi conquistada com luta ou obtida com facilidade? Retire
do texto versos que comprovem sua resposta.
8..A escrever a expressão Deitado
eternamente em berço esplêndido, o autor quer passar a idéia de o país estar acomodado, parado ou de
ter condições privilegiadas para o desenvolvimento? Justifique sua reposta.
9. O hino diz que o brasileiro dá a vida por seu país.
a) Quais os versos que provam essa afirmação?
b) É uma afirmação verdadeira ou não? O que você acha?
10. Os versos 5 e 6: Se o penhor
dessa igualdade/ Conseguimos conquistar com braço forte afirmam que os brasileiros conseguiram fazer
do Brasil um país igual às outras nações
livres e independentes. Você acha que o Brasil, na sua economia, é um país
livre? Por quê?
11. Depois de estudar a letra do hino responda: O que é ser
patriota na atualidade brasileira?
12. Coloque toda a letra do hino na ordem direta.
Exemplo:
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante.
Sujeito: As margens plácidas do Ipiranga
Predicado: ouviram o brado retumbante de um povo heróico.
Ordem direta:
As margens plácidas do Ipiranga ouviram
o brado retumbante de um povo heróico.
Faça o mesmo com a letra do hino.
REPOSTAS
Questão 1
j) calmas; l) ecoante; o) belo;
a) brilhante, luminoso; p) destemido; j)grito; m)adorada; s) interior; r)
admirável; u) cintilas; n) brilhantes, resplandescentes; b) garantia; c) passe
bem; d) adorno e) alegre; f) bandeira, estandarte; g) bandeira, galhardete; h)
arma; q) gigante.
Questão 2
a) Positivo. b) Porque todo hino
tem como objetivo o enaltecimento da Pátria, do time, de Deus.
Questão 3 - O riacho Ipiranga aparece no hino porque foi às
suas margens, conforme conta a História do Brasil, que D. Pedro deu o Grito da
Independência.
Questão 4 - Por que "Cruzeiro" é o nome da constelação
em forma de cruz, que aparece no céu do Brasil e está retratada em sua bandeira.
Questão 5 - Porque a nomenclatura era
"Novo Mundo" para se referir ao novo continente,
as Américas. Atualmente, usamse mais as designações "Primeiro Mundo"
e "Terceiro Mundo".
Questão 6 - A segunda estrofe.
Questão 7
a) Liberdade política de se organizar
enquanto nação e ter um território com
independência administrativa.
b) Com luta. "Conseguimos conquistar com braço
forte".
Questão 8 - Muita gente faz piada com este verso do hino,
dizendo que o Brasil nãoacordou até, ainda dorme em berço esplêndido, mas o
sentido real é "ter condições privilegiadas para o desenvolvimento",
pois possui recursos naturais em abundância.
Questão 9
a) "Verás que um filho teu não foge à luta Nem teme,
quem te adora, a própria morte"
b) Resposta subjetiva, pessoal. O brasileiro sempre teve o
sentimento patriótico, que
aflora no futebol e se revela
desde que haja muita confiança nos homens públicos.
Exemplo: no Plano Cruzado, houve os fiscais do Sarney.
Questão 10 - Resposta subjetiva, pessoal.
Nesta resposta pode ser colocada a dependência econômica
brasileira, a questão da dívida externa e da globalização da economia.
Questão 11 - Resposta subjetiva, pessoal.
Nesta questão pode ser explorada
o cumprimento dos deveres, ser bom cidadão, cada um fazer a sua parte em prol
da comunidade. Pátria não quer dizer Forças Armadas e autoridades, é o povo,
com sua cultura e sua fé.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
DIVERSIDADE
DIVERSIDADE
Homossexualidade
e homofobia na escola: como lidar?
A pesquisa "Juventudes e
Sexualidade no Brasil", publicada pela Unesco em 2004, mostra que 39,6%
dos meninos não gostariam de ter um colega de classe homossexual. É hora de
falar do assunto nas salas de aula
SITE: EDUCAR PARA CRESCER
A família e a escola têm o dever de falar aos jovens sobre a necessidade
de respeitar as diferenças
"Homossexualidade é o mais difícil tema relacionado à
sexualidade", diz Mônica Marques Ribeiro, professora de Biologia da Escola
Estadual Ary Corrêa (de Ourinhos, São Paulo), que há dez anos aborda a sexualidade nas salas de aula. A abordagem do
assunto nas escolas pode até deixar alguns pais receosos, mas é necessário
entender que é importante que o respeito às diferenças esteja presente no
currículo. Informar é o primeiro passo para a quebra do preconceito.
Muitas pessoas, por exemplo, partem do pressuposto de que a bissexualidade e a homossexualidade são desvios de caráter, uma doença ou ainda algo contagioso. "A psicologia já demonstrou que ninguém sabe explicar cientificamente por que as pessoas são heterossexuais, bissexuais ou homossexuais. Há fatores biológicos, psicológicos e sociais, mas é impossível determinar uma única causa", explica Lula Ramires, mestre em Educação pela USP. "Em uma sociedade como a nossa, qualquer um que saia da norma heterossexual é imediatamente tratado com descaso, desprezo, humilhação e até com violência física. É isso o que chamamos de homofobia", explica Ramires, que tabém é coordenador do Corsa (Cidadania, Orgulho, Respeito, Solidariedade e Amor de defesa dos direitos LGBT - Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis).
Muitas pessoas, por exemplo, partem do pressuposto de que a bissexualidade e a homossexualidade são desvios de caráter, uma doença ou ainda algo contagioso. "A psicologia já demonstrou que ninguém sabe explicar cientificamente por que as pessoas são heterossexuais, bissexuais ou homossexuais. Há fatores biológicos, psicológicos e sociais, mas é impossível determinar uma única causa", explica Lula Ramires, mestre em Educação pela USP. "Em uma sociedade como a nossa, qualquer um que saia da norma heterossexual é imediatamente tratado com descaso, desprezo, humilhação e até com violência física. É isso o que chamamos de homofobia", explica Ramires, que tabém é coordenador do Corsa (Cidadania, Orgulho, Respeito, Solidariedade e Amor de defesa dos direitos LGBT - Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis).
Para evitar o
constrangimento, assédio ou bullying por parte dos estudantes, a família e a
escola podem - e devem - falar aos jovens sobre a necessidade de respeitar as
diferenças e de refletir sobre como quem não tem o "comportamento
padrão" imposto pela sociedade sofre muito. Falar dos diferentes tipos de
orientação sexual (atração afetiva pelo mesmo sexo ou identificação física e
psicológica com o sexo oposto) no ambiente escolar faz parte disso, embora não
seja fácil.
Recentemente, o Ministério da Educação envolveu-se em uma polêmica ao anunciar a distribuição de um kit anti-homofobia nas escolas. Contendo vídeos e material de apoio aos professores, o material foi amplamente criticado pela bancada evangélica da Câmara dos Deputados. A ideia agora é reformular o kit, para que ele combata também outros preconceitos.
Recentemente, o Ministério da Educação envolveu-se em uma polêmica ao anunciar a distribuição de um kit anti-homofobia nas escolas. Contendo vídeos e material de apoio aos professores, o material foi amplamente criticado pela bancada evangélica da Câmara dos Deputados. A ideia agora é reformular o kit, para que ele combata também outros preconceitos.
COMO
TRABALHAR EM SALA DE AULA
A
abordagem do tema deve ser feita de forma delicada, afinal a homossexualidade
ainda é um tabu. "Ttem que se ter cuidado ao falar disso", admite a
professora de biologia Mônica Marques Ribeiro, que há dez anos aborda em sala
questões relacionadas à sexualidade, sempre aproximando o tema dos direitos e
deveres dos cidadãos e do respeito e à diversidade humana. "Debatemos tudo
conforme a necessidade da classe, conforme o aluno vai perguntando",
conta.
É importante deixar claro que, da mesma forma que existem pessoas que sentem desejo pelo sexo oposto (heterossexuais), existem outras que sentem isso pelo mesmo sexo (homossexuais). Fazer isso é parte do trabalho do professor que decide abordar a temática sexual de forma didática na sala de aula. Além disso, ressaltar que o desejo pelo mesmo sexo não é uma vergonha, crime ou doença é algo que deve ser transmitido não só para os alunos, mas também para os pais.
É importante deixar claro que, da mesma forma que existem pessoas que sentem desejo pelo sexo oposto (heterossexuais), existem outras que sentem isso pelo mesmo sexo (homossexuais). Fazer isso é parte do trabalho do professor que decide abordar a temática sexual de forma didática na sala de aula. Além disso, ressaltar que o desejo pelo mesmo sexo não é uma vergonha, crime ou doença é algo que deve ser transmitido não só para os alunos, mas também para os pais.
COMO
LIDAR COM A HOMOFOBIA NA ESCOLA
O
caminho é sempre fazer da ampliação da cidadania tema das aulas. Ou seja, se o
professor trabalhar com os estudantes os princípios da dignidade humana, da
liberdade e da igualdade, a sala de aula se tornará naturalmente um campo
fértil para boas práticas pedagógicas sobre tema. É importante passar
informações científicas e propiciar o debate de temas pertinentes à idade de
cada turma, tentando aplacar as angústias dos adolescentes em relação ao
assunto. Veja algumas dicas pontuais para lidar com a homofobia e as diversas
orientações sexuais na escola:
- Reprimir os comentários preconceituosos entre os alunos. - Acolher e fortalecer os jovens que se isolam do grupo por ter comportamento diferente do padrão - Promover um debate franco sobre a necessidade de respeitar as diferentes orientações sexuais - Incentivar que os estudantes tirem as próprias conclusões. - A opinião do professor sobre o tema deve ser dada apenas no final das discussões - Apresentar aos alunos dados e pesquisas sócio-culturais sempre que possível - Manter a discussão genérica, sem se intrometer na intimidade da garotada - Propor atividades que favoreçam a participação dos mais tímidos - Fazer um "contrato" com a turma para garantir que tudo o que for discutido não seja usado em comentários maldosos nos corredores nem para julgar os colegas - Convidar os pais, sempre que possível, a participar de um bate-papo sobre homofobia e diversidade sexual em sala de aula com os estudantes Como lidar com a homofobia em casa? Assim como na escola, é preciso muito diálogo e cuidado para não incentivar possíveis preconceitos. Jamais critique os homossexuais e, se perceber que seu filho está nutrindo algum tipo de preconceito, converse sobre isso com ele. Assim como o racismo e o antissemitismo, a homofobia não pode ser tolerada em casa, na rua e muito menos na escola.
- Reprimir os comentários preconceituosos entre os alunos. - Acolher e fortalecer os jovens que se isolam do grupo por ter comportamento diferente do padrão - Promover um debate franco sobre a necessidade de respeitar as diferentes orientações sexuais - Incentivar que os estudantes tirem as próprias conclusões. - A opinião do professor sobre o tema deve ser dada apenas no final das discussões - Apresentar aos alunos dados e pesquisas sócio-culturais sempre que possível - Manter a discussão genérica, sem se intrometer na intimidade da garotada - Propor atividades que favoreçam a participação dos mais tímidos - Fazer um "contrato" com a turma para garantir que tudo o que for discutido não seja usado em comentários maldosos nos corredores nem para julgar os colegas - Convidar os pais, sempre que possível, a participar de um bate-papo sobre homofobia e diversidade sexual em sala de aula com os estudantes Como lidar com a homofobia em casa? Assim como na escola, é preciso muito diálogo e cuidado para não incentivar possíveis preconceitos. Jamais critique os homossexuais e, se perceber que seu filho está nutrindo algum tipo de preconceito, converse sobre isso com ele. Assim como o racismo e o antissemitismo, a homofobia não pode ser tolerada em casa, na rua e muito menos na escola.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
TEXTO SOBRE AS MANIFESTAÇÕES
ONDE E COMO COMEÇA...
IVO TONET*
1. O pano de fundo
Para compreender o que está acontecendo, atualmente, no Brasil, é preciso voltar um pouco na história. Certamente, é uma situação muito complexa, mas procuraremos sinalizar, aqui, os elementos que nos parecem mais marcantes para entender o processo atual.
Em primeiro lugar, a vitória esmagadora do capital sobre o trabalho. A eclosão da crise do capital, que começou por volta de 1970, encontrou um chão fértil para permitir que este enfrentasse esta crise com uma brutal intensificação da exploração da classe trabalhadora. A intensificação da exploração se deu, de modo prioritário, através da reestruturação produtiva, isto é, da reorganização da produção de modo a permitir a retomada dos lucros do capital. Privatização de empresas estatais, privatização de serviços públicos, aumento do desemprego e do subemprego, precarização do trabalho, intensificação da exploração dos que ainda permaneciam empregados, supressão de direitos duramente conquistados, corte dos gastos públicos e com isso, agravamento dos problemas sociais de toda ordem: saúde, educação, transporte, alimentação, moradia, saneamento, segurança, urbanização, cultura e lazer, devastação da natureza. Tudo deveria ser organizado no sentido de garantir os lucros dos capitalistas nem que, para isso, fosse preciso destruir a humanidade.
Ao mesmo tempo, o Estado foi reorganizado sempre no sentido de favorecer o capital e garantir o controle e a submissão da classe trabalhadora. Nunca, como neste momento, foi e está sendo, tão verdadeira a afirmação de Marx e Engels, no Manifesto Comunista, de que o Estado é “o comitê executivo dos negócios da burguesia”. Umas poucas grandes corporações ditam, utilizando o Estado, as regras de todas as políticas econômicas mundiais.
Em segundo lugar, a perda do horizonte revolucionário. O desmoronamento dos países ditos socialistas pareceu confirmar, empiricamente, a ideia de que o socialismo é impossível. O que se apresentou como socialismo em vez de ser uma sociedade superior ao capitalismo se manifestou, na verdade, como um precário igualitarismo e, ao mesmo tempo, como supressão das liberdades democráticas e cidadãs, como brutal ditadura, como um sistema repressivo, como um Estado todo-poderoso e como um menosprezo pela individualidade. Desde então, o horizonte mais presente é, no máximo, aquele do aperfeiçoamento da atual ordem social.
Mesmo para aqueles que ainda pretendiam construir um mundo melhor, a alternativa, tanto pela via social-democrata como pela via revolucionária resumia-se a atribuir ao Estado a tarefa de dirigir o processo de transformação social. Para isso, seria necessário conquistar o Estado e colocar todos os partidos, sindicatos e movimentos sociais sob a direção desse Estado, supostamente posto, agora, a serviço dos interesses das classes subalternas. Tudo isso contribuiu para orientar a classe trabalhadora e todos os movimentos sociais no sentido de lutar não contra o capital e contra Estado, mas com o capital e com o Estado no o objetivo de conquistar melhorias pontuais sem nunca colocar em questão a ordem social capitalista.
As ideias de revolução, de socialismo, de superação de toda exploração e dominação do homem pelo homem, de construção de uma sociedade realmente igualitária foram substituídas pelas ideias de reforma, democracia, cidadania, universalização de direitos, melhorias gradativas. A pressuposição era de que, não sendo o socialismo algo possível, a única alternativa razoável seria o aperfeiçoamento da atual ordem social capitalista. A enorme maioria dos partidos que se pretendia representante dos interesses da classe trabalhadora foi assumindo esta perspectiva reformista, mesmo quando conservava o nome de comunista ou socialista, contribuindo, poderosamente, para a deseducação da classe trabalhadora e das lutas sociais.
Deste modo, os inúmeros movimentos sociais que surgiram foram vistos ora como substitutos do verdadeiro sujeito revolucionário ora como simples momentos de reivindicação de melhorias pontuais. Este conjunto de circunstâncias gerou uma ideologia profundamente conservadora e individualista. Disseminou-se a ideia de que esta forma de sociabilidade seria a última (fim da história) e a melhor possível, apesar dos seus defeitos; que ela seria indefinidamente aperfeiçoável; que o sucesso ou insucesso dependeria apenas do esforço individual; um sentimento de impotência diante da solidez do sistema; uma perda de compreensão do processo histórico; um espírito de superficialidade, que leva a ver a história como a repetição indefinida do momento atual; uma fragmentação do conhecimento, que impede a compreensão da realidade como uma totalidade articulada.
Em resumo: as consequências mais importantes de tudo isso foram: a perda do horizonte revolucionário e sua substituição por um horizonte reformista; a descrença na possibilidade de mudar o mundo na sua totalidade e o apego a reformas pontuais; a sensação de impotência diante dos problemas sociais; a ideia de que todas as lutas deveriam confluir para o Estado, ou para tomá-lo e, supostamente, colocá-lo a serviço das classes populares ou para arrancar dele melhorias pontuais; o acento na ação individual e eleitoral em substituição à luta coletiva.
Com tudo isto, no momento de sua crise mais séria (a partir de 1970), o capital vê seu caminho inteiramente livre para enfrentar o agravamento dos seus problemas com a intensificação da exploração da classe trabalhadora de uma maneira incrivelmente brutal. Isto porque o seu adversário histórico – o proletariado – a classe que poderia liderar a oposição mais consequente ao capital se encontrava ideológica e politicamente desnorteado e desorganizado quando não atrelado ao próprio Estado por obra e graça de partidos, centrais sindicais e sindicatos que se diziam defensores dos interesses da classe trabalhadora. Desamparadas de seu líder natural, as demais lutas sociais, justas e importantes, não conseguem ultrapassar os limites de reivindicações pontuais no interior do capitalismo, confluindo sempre para o Estado. Não há nenhum questionamento mais profundo do capital e do Estado. E já que socialismo é confundido com falta de liberdades democrático-cidadãs, com ditadura, com partido único e todo-poderoso, com supressão de toda propriedade, inclusive a individual, com menosprezo do indivíduo, então sobra apenas a busca do aperfeiçoamento da democracia e da cidadania
2. A situação atual no Brasil
No Brasil, a chegada do PT ao poder se deu em meio ao enfrentamento da crise do capital através da reestruturação produtiva e da retomada da ideologia liberal. A aparente oposição deste partido aos interesses do capital gerou uma enorme expectativa de mudanças substanciais. Apesar das alianças problemáticas, o crédito concedido pelas classes subalternas foi enorme. Além do mais, o PT carregava consigo a confiança da maioria da classe trabalhadora, da maioria dos outros partidos ditos de esquerda (PCdoB, PDT, PSB) e da maioria dos sindicatos e Centrais Sindicais.
Uma situação internacional favorável aos países periféricos – já que o foco principal dela estava nos países centrais – permitiu ao governo enfrentar a crise mundial de modo a suavizar os seus efeitos. Contudo, as linhas mestras da política econômica não destoavam do conjunto das políticas mundiais. Todas elas estavam direcionadas no sentido de garantir os interesses do capital descarregando o peso do enfrentamento da crise sobre os ombros da classe trabalhadora e das demais classes populares. Foi-se gerando, então, a ideia de que esse seria o caminho para a superação dos problemas sociais no Brasil: um pacto entre o capital (representado por parte da burguesia) e o trabalho (representado pela maioria da classe trabalhadora), no qual ambos sairiam ganhando e possibilitaria ao Brasil elevar-se à posição de membro dos países mais desenvolvidos!
No entanto, aos poucos, o caminho ia ficando claro: nenhuma mudança estrutural, apenas a busca de um caminho para a inserção do Brasil na economia mundial do capital em crise profunda. Para isso, continuidade das privatizações (via concessões, parcerias público-privadas, isenções fiscais, mercantilização de tudo, corte dos gastos públicos, privatização de serviços públicos, favorecimento dos interesses privados (bancos, empreiteiras, agro-negócio, montadoras…). Ao lado disso, a montagem de políticas sociais compensatórias (bolsas de diversos tipos), que permitiriam minimizar os aspectos mais gravosos dos problemas sociais.
O orçamento nacional (tomando como exemplo o de 2012 e assinalando apenas alguns elementos) mostra claramente onde estão as prioridades para a destinação dos recursos públicos: 43,98% para pagamento da dívida pública; 22,47% para previdência social; 10,21% para transferência para Estados e Municípios; 4,17% para saúde; 3,34% para educação, 2,42% para trabalho; 3,15% para assistência social; 0,39% para segurança pública; 0,70% para transporte; 0,01% para habitação; 0,06% para urbanismo; 0,02% pra desportos e lazer 0,04% para energia; 0,05% para cultura. Na esfera política deu-se uma completa transformação do PT em um partido típico burguês: sistema de alianças com partidos e grupos sociais conservadores e mesmo reacionários, corrupção, apadrinhamentos, utilização dos bens públicos para fins privados, carreirismo, manipulação das massas com fins eleitoreiros, criminalização das lutas sociais, favorecimento dos grandes grupos empresariais. O PT, que se tinha apresentado como campeão da “ética na política” acabou chafurdando no mesmo lamaçal em que sempre se espojaram todos os partidos políticos. Todos eles utilizando a população apenas como massa de manobra em momentos eleitorais, para depois esquecê-la e buscar apenas a satisfação dos interesses da burocracia partidária e dos seus financiadores.
As consequências disto foram o agravamento dos problemas sociais com o consequente aumento da insatisfação social; o descrédito nas instituições políticas; a despolitização, a alienação e o apassivamento da maioria da população; a confusão ideológica e política; a percepção da enorme desigualdade social, pois enquanto alguns poucos (bancos, empreiteiras, montadoras, agro-negócio, etc.) enriqueciam, a maioria da população via aumentar muito pouco a sua participação na riqueza gerada. Tudo isto, ainda, agravado, nos últimos meses, pelo aumento da inflação, pela deterioração nos serviços públicos e por gastos bilionários com a construção e reforma de estádios de futebol. Como resultado de tudo isto, a violência se tornou cada vez mais presente na vida social, atingindo, embora de modo muito diferente, todas as classes sociais. Os ricos vêem ameaçado o seu patrimônio e os pobres se sentem abandonados pelo Estado, quando não, muitas vezes, eles próprios vítimas da violência do Estado. Por sua vez, a juventude vê estreitar-se cada vez mais o seu horizonte. Além de sofrer com a deterioração dos serviços públicos, também se vê engrossando cada vez mais um enorme exército de reserva, que dificilmente será absorvido pelo mercado de trabalho. Ainda mais: a corrosão do nível de vida da classe média aumentou também as suas preocupações e a sua insatisfação. Insatisfação esta que, por um lado se dirige contra a relação entre o alto pagamento de impostos e o que é recebido em troca como serviço público, de péssima qualidade e, por outro lado, contra o que ela vê como favorecimento das classes populares em detrimento de si mesma, interpretando isto como uma política governamental assistencialista que privilegia os que não trabalham.
3. Desdobramentos
Embora pipocassem, aqui e ali, lutas setoriais, nada parecia indicar uma iminente explosão. Mas, a caldeira estava aumentando a sua fervura. A questão do aumento do transporte foi apenas a gota d´água que fez explodir a insatisfação que estava latente. Surgem, então, as mais variadas reivindicações. Como resultado de todo o processo acima descrito, não é de admirar que, neste momento, haja uma enorme confusão ideológica e política.
Também não é de admirar que não haja clareza quanto aos objetivos a médio e longo prazo. Do mesmo modo, não é de admirar que os reacionários e conservadores procurem direcionar esse movimento para seus fins. O surgimento de movimentos fascistas, integralistas, nazistas não é algo estranho a estas situações. Isto já foi visto em outros momentos históricos. Por sua vez, a rejeição aos partidos é compreensível, embora não justificável, porque a maioria, despolitizada, vê toda atividade partidária pela lente de um sistema político totalmente degenerado. A ampla maioria dos participantes destas manifestações não é nem de esquerda, nem de direita nem de centro. Simplesmente está reagindo motivada por uma insatisfação que, provavelmente, no fundo, tem a ver com a frustração relativa às suas perspectivas de vida. A falta de um maior esclarecimento acerca das causas mais profundas dos problemas sociais pode facilmente tornar essas massas presa de grupos reacionários e/ou de indivíduos “salvadores”.
As classes dominantes, por sua vez, diante do agravamento dos problemas, procurarão, por todos os modos, defender os seus interesses: intensificando a repressão, aumentando as políticas de austeridade, isto é, de exploração do trabalho e a criminalização das lutas sociais. Mas, em tudo isso, há ainda um elemento profundamente preocupante. A classe operária está praticamente ausente dessas manifestações, pelo menos como classe consciente e organizada. Algumas pesquisas parecem indicar que, entre os manifestantes, encontram-se muitos, especialmente mais jovens, trabalhadores precarizados e desempregados. O fato é que o grosso da classe trabalhadora ainda não entrou em cena. E por essa ausência, como vimos acima, a esquerda (partidos e sindicatos) tem uma enorme responsabilidade. Vê-se que, mesmo onde esta classe intervém de forma mais expressiva e organizada, como na Grécia, em Portugal, na Espanha, ela não tem um projeto próprio claramente contrário ao capital e ao Estado, projeto este que só poderia ser o resultado de um longo processo de construção. A tônica das reivindicações é, de modo geral, por reformas e por outro tipo de Estado, mais preocupado com as questões sociais.
De modo especial, aqui no Brasil, o atrelamento da classe trabalhadora ao Estado dirigido pelo PT tem um enorme impacto no sentido de enfraquecer e desnortear essas lutas que estão surgindo espontaneamente. Impediu que se formasse a convicção de que a solução dos problemas sociais passa pela superação radical do capitalismo e pela construção de uma sociedade socialista. Infelizmente, a tônica da polarização, por uma grande parte da esquerda, era colocada na contraposição entre PSDB (o caminho do mal) e PT (o caminho do bem) e não entre capital e trabalho. Acresce a isso o fato de que inclusive partidos e organizações sociais, que se pretendem de esquerda e de oposição, imprimiram ao seu trabalho um forte viés eleitoral. Embora existam, são raras e de expressão ainda bastante reduzida as organizações partidárias e movimentos sociais, que não imprimiram às suas lutas um viés eleitoral. Tudo isso contribui para iludir as massas fazendo-as acreditar que a resolução dos problemas sociais se centra em questões éticas (contra a corrupção, contra a malversação de recursos públicos), administrativas (melhor gestão dos recursos públicos, menor impostos) e/ou políticas (reforma política) passa pela conquista do Estado e por reformas realizadas por ele.
4. Nossas tarefas
Neste momento, agitação (poucas ideias para muitas pessoas) e propaganda (muitas ideias para poucas pessoas) são fundamentais para ajudar na politização, no esclarecimento e na definição dos objetivos. A esquerda terá que se reinventar, deixando de lado sectarismos e vanguardismos, para poder influenciar nos rumos das lutas atuais e futuras. É importante mostrar às massas a relação entre os diversos problemas setoriais, a natureza do capital e a atual crise a que ele submete a humanidade.
É importante esclarecer que a solução dos problemas não pode ser encontrada dentro do capitalismo; que a resolução dos problemas, que são universais, só pode ser encontrada com a superação radical do capitalismo e a construção de uma sociedade socialista. Para isso, é importantíssimo explicar o que é socialismo, desfazendo os equívocos em relação aos países ditos socialistas e deixando clara a sua superioridade em relação ao capitalismo. É importante esclarecer que o problema não é a corrupção (inerente ao capitalismo), nem a “bandalheira” dos políticos (também inevitável), nem a falta de “vontade política” dos governantes, muito menos este governo – cujo núcleo é o PT – (porque todo governo cumpre a função essencial do Estado que é a defesa dos interesses das classes dominantes), mas, que as causas mais profundas se situam na lógica do capital, na exploração dos trabalhadores pelos capitalistas e na existência da propriedade privada.
Como dizia Lenin, é preciso “explicar, explicar e explicar”, sem reducionismos sem sectarismo, sem acusações, mas procurando mostrar a conexão entre as diversas reivindicações e as causas fundamentais dos problemas sociais. Mas, a tarefa mais importante, é, sem dúvida, contribuir para que a classe trabalhadora volte a assumir o seu lugar como sujeito fundamental das transformações sociais. Ela, porém, só poderá voltar a ocupar este lugar na medida em que se organizar ideológica e politicamente contra o capital e, também, contra o Estado. Considerando o pano de fundo acima descrito e as suas consequências, essa não será uma tarefa nada fácil. No entanto, absolutamente necessária e decisiva. Os exemplos das lutas da chamada “primavera árabe”, das grandes manifestações em vários países da Europa e nos vários tipos de “Occupy” mostram, claramente, que a ausência da classe trabalhadora como sujeito fundamental deste processo, com um projeto revolucionário, impede o avanço das lutas no sentido da resolução radical dos problemas sociais.
Maceió, 24 de junho de 2013
* IVO TONET é Doutor em Educação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho e professor de Filosofia da Universidade Federal de Alagoas
Assinar:
Comentários (Atom)