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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

AIDS: PRECISAMOS RETOMAR ESSE TEMA!

Aids aumenta entre jovens brasileiros, pesquisa mostra que conversa sobre tema na escola não é suficiente

 | Atitude AbrilCorpo e saúde
Atitude Abril - Aids Crédito: Eder Redder
Uma pesquisa realizada pelo projeto Atitude Abril – Aids descobriu que entre os jovens (até 21 anos), 81% referiram que ainda é um tabu falar sobre sexo em casa com os pais, e que, para 79% deles, é na escola que conversam sobre Aids, em geral, durante a aula de biologia sobre reprodução humana. O levantamento ouviu, via internet, 15.002 homens e mulheres acima de 16 anos de todo o Brasil — 20% deles se declararam virgens e 5%, portadores do HIV. O estudo investigou o conhecimento e comportamento sexual dos brasileiros em relação a Aids. Vejam a íntegra da pesquisa no site Brasil Post.
Fiquei muito feliz também em ver que 40% dos entrevistados disseram ter sido suficiente a conversa na escola sobre Aids. Isso é um grande avanço!!! No entanto, podemos e devemos melhorar esse índice, uma vez que a maioria, 60%, ainda coloca como insuficiente a aprendizagem sobre esse tema na escola. Precisamos estar atentos a esse dado, pois as estatísticas divulgadas no Dia Mundial de Luta contra a Aids, 1º de dezembro, são preocupantes: elas mostraram que o HIV avançou mais de 50% entre os jovens brasileiros, principalmente por descuido nas relações sexuais
Enquanto em todo o mundo a Aids teve uma redução de 32%, em dez anos, no Brasil, os casos de Aids entre os jovens brasileiros de 15 a 24 anos aumentaram 68% em uma década.

Assista a vídeo do projeto Atitude Abril – Aids
Jovens brasileiros estão se descuidando na prevenção da Aids. De quem é a culpa?
Os especialistas e o ministro da Saúde associaram este fato a um problema de comportamento sexual dos jovens. Segundo as palavras desses profissionais “eles acham que hoje ninguém mais morre de Aids, que se pegarem o vírus é só tomar remédio e está tudo bem”. Para eles, desde a chegada dos coquetéis antirretrovirais, criou-se uma falsa ideia de que a Aids não é mais motivo de preocupação. Será que os jovens pensam mesmo assim? Os remédios são um excelente avanço da Medicina contra a doença e na minha opinião não devem ser considerados o algoz da prevenção. Se isso de fato está acontecendo, é responsabilidade nossa, como educadores sexuais, identificar o que e como podemos fazer para mudar isso, já que, como vimos na pesquisa, a maioria dos jovens entende que a escola é fonte de informação sobre o assunto
Outra justificativa é o fato de os adolescentes não terem visto seus amigos e ídolos partirem. Isso faz com que não levem mais em conta a Aids e com isso estão relaxando na prevenção. De fato uma das formas de aprendizagem é a confirmação social: ver acontecer o que está sendo pregado ajuda as pessoas a acreditarem que esse fato é real e verdadeiro.
No entanto, incentivar as pessoas a se prevenir contra a Aids utilizando o medo como estratégia de motivação não funciona. É só dar uma olhada na pesquisa do Atitude Abril-Aids: o grupo de pessoas com mais de 50 anos são um dos mais vulneráveis a infecção pelo HIV. Esta geração viveu o período negro dessa doença, mas não adquiriu o hábito de usar a camisinha, que é o único método seguro de evitar a infecção. Principalmente as mulheres disseram não usar a camisinha porque confiam no parceiro(a).
Será que não temos que rever a posição das escolas e a forma de abordagem da Aids com os nossos alunos?
Terror assusta, mas não motiva
O que motiva é a tomada de consciência sobre a importância da prevenção, ou seja, a convicção de que isso é realmente importante faz o jovem buscar aprender os aspectos protetores e trabalhar as dificuldades para assumir e praticar a prevenção. Para isso acontecer, a conversa sobre Aids precisa estar inserida em um trabalho de Educação Sexual mais abrangente, em que essa aprendizagem vá além de saber que é preciso usar camisinha e como colocá-la corretamente. É fundamental que valores como “quem ama confia” sejam problematizados, o respeito pelo corpo trabalhado em detalhes para que o aluno também possa aprender sobre a resposta sexual e entender suas reações. Além disso, é impossível motivar alguém a fazer prevenção se há mitos sobre a Aids e a camisinha, e se o impacto da doença no projeto de vida não for dimensionado corretamente… Enfim, é indispensável que as escolas abram mais espaço para o trabalho de Educação Sexual. Nesse levantamento, apenas 17% dos jovens entrevistados referiu ter aulas específicas de Educação Sexual em sua escola!
O paradoxo da Educação Sexual na escola
Enquanto ouço depoimentos de professores apreensivos, com medo de estimular a prática sexual precoce com conversas sobre sexo, primeira vez e prevenção, os nossos jovens estão em plena atividade sexual, e muitos deles embarcando em situações de risco. Foram muitos os relatos que ouvi nesse último mês sobre o comportamento sexual de alunos das mais variadas escolas e cidades do Brasil. Entre eles o que mais me chamou atenção foi a exposição desnecessária de alunas na internet, as quais se fotografam nuas, e depois são avaliadas pelos colegas em um ranking das “Top 10 mais”… Outros me contaram que as alunas fazem combinações em redes sociais para constranger sexualmente colegas nas escolas ou conhecidos nas baladas, sem contar as histórias de ocorrências sexuais nos pancadões…
Se os jovens estão vivendo sua sexualidade e a sua bagagem é pouca para discernir e lidar com as adversidades da vida sexual, nosso papel como educadores é fornecer elementos para ampliar essa bagagem. É muito provável que um aluno equivocado quanto ao tratamento da Aids tenha mais motivação para aderir à prevenção se aprender que, por exemplo, o tratamento da Aids é muito penoso: portadores do HIV chegam a tomar mais de 20 comprimidos diários desse coquetel, com efeitos colaterais como vômitos, náuseas e diarreias que complicam muito a qualidade de vida – e que, depois de tudo, não cura. Mas, como diz a campanha do Atitude Abril – Aids: desinformação tem cura!
Você tem dúvidas ou comentários sobre Educação Sexual nas escolas?
Para o post da semana que vem, gostaria de trocar mais com você, educador. Se você tem dúvidas sobre como trabalhar determinado assunto ou lidar com certa situação na escola, deixe seu comentário. Os mais frequentes entrarão no post da semana que vem! Participe!
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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

EJA - Volta às aulas: como organizar a recepção dos alunos

EJA  - Volta às aulas: como organizar a recepção dos alunos
Para integrar os alunos novos e receber bem os antigos, é preciso planejamento e cuidado
Fonte: Nova Escola
Com apuração de Camila Camilo. Editado por Elisa Meirelles
O ano letivo começa e muita coisa muda na escola. Alunos novos chegam e os que já estudavam na unidade no ano anterior são reorganizados em outras turmas, com colegas e professores diferentes. Planejar a volta às aulas é fundamental. É preciso integrar os novatos, acolher quem retorna e garantir o melhor ambiente para que todos convivam. "É importante que os estudantes notem que houve preparo para o momento de recebê-los", defende Jussara Tortella, professora do programa de pós-graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas).

O fundamental nos primeiros dias é criar um ambiente de acolhida, em que cada um se sinta pertencente ao espaço escolar. Esse ambiente aparece em decisões planejadas - como a exposição de mensagens de boas-vindas nas paredes, a apresentação da escola aos novatos, as dinâmicas que o docente faz em classe para conhecer a turma etc.

"A volta às aulas deve ser preparada de acordo com o segmento em que estão os alunos", explica Célia Cassiano, diretora da EMEF Jardim Monte Belo, em São Paulo. Todo ano, ela define atividades diferenciadas para receber as crianças que chegam para cursar o Ensino Fundamental no período diurno e os mais velhos, que vão estudar à noite na Educação de Jovens e Adultos (EJA). O mesmo ocorre com escolas de Educação Infantil. Os cuidados próprios à faixa etária não podem ser esquecidos. Com os pequenos, a adaptação deve ser bem planejada para que a escola não seja vista como um ambiente hostil.

Confira nesta página e nas próximas dicas para organizar a chegada dos alunos e preparar as atividades que serão realizadas com as diferentes turmas.

Recepção das famílias
No horário de entrada, é importante que o diretor e o coordenador estejam no pátio para tirar dúvidas dos pais e ajudar os alunos, principalmente os novatos. atitudes como essa demonstram que os gestores estão abertos a questionamentos e interessados em acolher todos os estudantes desde o início do ano letivo.

Apresentação da escola
Para que os novatos conheçam o lugar em que vão estudar, é importante organizar uma equipe para recepcioná-los, mostrar as dependências da instituição e apresentar os funcionários. Uma sugestão é propor que os estudantes mais antigos fiquem responsáveis por essa visita guiada. assim, os novos já começam a conhecer a turma.

Integração dos alunos
Estimule os novos estudantes a participar de grupos mistos, formados por alunos de diferentes anos. Essas equipes podem ser organizadas pelos próprios estudantes, de acordo com as áreas de interesse deles. Grupos de jardinagem, teatro e esportes são algumas opções.

Cuidado com os novatos
Quando ainda não conhecem os colegas, crianças e jovens que acabaram de chegar tendem a ficar mais retraídos. para evitar esse isolamento, é importante que a escola planeje atividades para momentos como o intervalo. nos primeiros dias, é bom também pedir que os educadores prestem atenção extra nos novatos para que não fiquem sozinhos.


7 ações para combater a evasão na EJA


Conheça a seguir algumas medidas que ajudam a diminuir as faltas e a evasão de jovens e adultos
Marcelo Andrade. Com reportagem de Anderson Moço, de Niterói, RJ, Beatriz Santomauro, de São João do Oeste, SC, e Paola Gentile, de Silves, AM

1 Uso de variadas linguagens
O que é 
Incorporar atividades relacionadas à arte e à cultura. 

Por que dá resultado
Utilizar linguagens alternativas, como a música, o cordel e o teatro, facilita o aprendizado, principalmente de estudantes mais velhos, que geralmente têm mais proximidade com a cultura popular. 

Onde deu certo 
Em Salvador, no bairro Pariri, um subúrbio ferroviário, a direção do CE Sete de Setembro chamou a atenção dos alunos de EJA com projetos de música, cultura e literatura. Um deles é o Tempo de Artes Literárias, que promove uma competição saudável na escola ao estimular a produção de textos (prosa e poesia) por meio de rodas e saraus literários. Em 2009, o vencedor saiu de uma das turmas de EJA. Também foram realizados festivais para incentivar a produção musical e trabalhos de temática afro-brasileira e indígena. "A culinária desses povos, por exemplo, pode ser explorada nas aulas de Matemática, ao falar das quantidades de ingredientes utilizados em cada prato", explica Diógenes Ribeiro, diretor da escola. Ele credita o sucesso dessas ações ao uso da linguagem oral - em que muitos adultos têm desenvoltura - juntamente com a escrita.

2 Reorganização do tempo
O que é 
Elaborar um cronograma de aulas ajustado à disponibilidade dos alunos. 

Por que dá resultado
Organizar os dias e horários das disciplinas segundo as necessidades da turma garante o atendimento contínuo e a reposição de aulas. 

Onde deu certo 
A EEB Madre Benvenuta, em São João do Oeste, a 698 quilômetros de Florianópolis, passou em 2009 por uma reformulação em seu sistema de ensino para as turmas de EJA. A ideia, implantada nas cinco escolas estaduais da região, foi oferecer duas disciplinas por semestre, com aulas presenciais duas vezes por semana - de preferência, entre segunda e quinta-feira. "A gente evita as sextas porque tem muita programação na comunidade e os alunos acabam faltando", explica Roque Neiss, coordenador do Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) da cidade. Pesquisas, lições de casa e outras atividades complementam a carga horária de estudo. São, portanto, menos horas presenciais e mais trabalhos a distância. Tudo é corrigido pelo professor, que leva para casa as tarefas e as devolve com comentários. As faltas permitidas se limitam a duas por semestre - desde que avisadas. O aluno pode, depois, combinar um horário com o docente para repor o conteúdo perdido. "Essa organização contribuiu para que muitos adultos que tinham desistido de estudar voltassem para a escola", comemora Neiss.

Marcelo Andrade (gestaoescolar@fvc.org.br). Com reportagem de Anderson Moço, de Niterói, RJ, Beatriz Santomauro, de São João do Oeste, SC, e Paola Gentile, de Silves, AM

3 Currículo contextualizado
O que é 
Construir um currículo que dê mais significado à aprendizagem. 

Por que dá resultado
Associar temas do cotidiano às disciplinas faz com que os alunos entendam o assunto com mais facilidade. 

Onde deu certo 
A Escola do Batatal, localizada na área rural de Mangaratiba, a 103 quilômetros do Rio de Janeiro, fez uma série de ajustes no currículo depois que indústrias do setor siderúrgico e de energia se instalaram no local. As diretoras Lucilene de Souza e Adriana Lopes da Silva criaram eixos temáticos para tratar os diversos assuntos surgidos com o desenvolvimento da região. Entre eles, a relação entre a urbanização e a vida no campo, a socialização como uma forma de integração da comunidade a seu entorno e o uso da tecnologia no cotidiano. Visitas ao caixa eletrônico e ao shopping center, por exemplo, foram organizadas para familiarizar a turma com as novidades. A iniciativa fazia parte do projeto Relendo o Mundo pelas Lentes da Educação, que mereceu a Medalha Paulo Freire, do Ministério da Educação (MEC), em 2009, na categoria Alfabetização de Jovens e Adultos.

Marcelo Andrade (gestaoescolar@fvc.org.br). Com reportagem de Anderson Moço, de Niterói, RJ, Beatriz Santomauro, de São João do Oeste, SC, e Paola Gentile, de Silves, AM

4 Articulação com empresas
O que é 
Entrar em contato com empresários do setor público e privado para estabelecer parcerias com a finalidade de facilitar o acesso dos alunos à escola e evitar atrasos. 

Por que dá resultado
Melhorar o transporte público nos bairros escolares ou estimular os funcionários a estudar, flexibilizando o horário de trabalho, são bons exemplos de parcerias que podem ser sugeridas aos empresários. 

Onde deu certo 
A oferta precária de transporte no bairro da EMEF Reginaldo de Souza Lima, em Paragominas, fez com que a direção da escola e a Secretaria Municipal de Educação procurassem as empresas de ônibus para melhorar a regularidade das linhas no período noturno. Também foram promovidas reuniões com dirigentes de empresas privadas e públicas, nas quais os alunos trabalhavam para conscientizá-los da importância de incentivar os funcionários a frequentar a sala de aula. Outras medidas adotadas com êxito: flexibilizar o horário de entrada em 15 minutos, alterar as datas das provas quando o estudante não pode ir devido ao trabalho e realizar visitas dos orientadores educacionais à casa daqueles que faltam para convencê-los a voltar.

Marcelo Andrade. Com reportagem de Anderson Moço, de Niterói, RJ, Beatriz Santomauro, de São João do Oeste, SC, e Paola Gentile, de Silves, AM

5 Atendimento aos filhos
O que é 
Criar uma infrasestrutura para receber os filhos dos alunos. 

Por que dá resultado
Para os alunos que não têm com quem deixar os filhos, levá-los à escola enquanto estudam pode ser determinante para que não faltem às aulas. 

Onde deu certo 
Quando foi diretora da EM Nossa Senhora das Graças, em Silves, a 300 quilômetros de Manaus, Francisca Artemísia Almeida da Silva tinha três turmas de EJA na escola. Entre 2004 e 2008, ela recebeu o programa Reescrevendo o Futuro, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em parceria com a Secretaria Estadual de Educação. Como o número de mulheres com filhos pequenos matriculadas no programa era alto, ela designou uma funcionária de serviços gerais para cuidar das crianças que iam com os pais para lá - medida sem custo, visto que foi feito um remanejamento de funções. "Reservamos uma sala com brinquedos e demos um lanche para que as mães possam estudar tranquilas. As que têm bebês podem ficar com eles na sala de aula. Faltas mesmo, só em caso de doença", diz Francisca.

6 Atendimento individual
O que é 
Oferecer um plano de estudos personalizado segundo as possibilidades de cada aluno. 

Por que dá resultado
Planejar aulas de forma individualizada permite que cada adulto estude de acordo com seu ritmo e com o tempo disponível. 

Onde deu certo 
No CE Duque de Caxias, localizado em Corbélia, a 513 quilômetros de Curitiba, o estudante monta sua grade de horários segundo as disciplinas oferecidas e sua disponibilidade de tempo. É possível, por exemplo, cursar apenas uma matéria em um semestre e passar para três no seguinte. "Eles recebem orientações do professor separadamente, apesar de assistirem às aulas em grupos", explica a diretora da escola Nilcéa Schwambach Medeiros. Assim, um aluno que trabalha na agricultura, como muitos na região, pode faltar até 30 dias em época de colheita sem se prejudicar. "Se fossem reprovados por faltas, eles nem fariam a matrícula", diz Elcio Luis Vitalli, vice-diretor da escola.

 Acolhimento e merenda
O que é 
Oferecer refeição aos alunos e incentivá-los a estudar. 

Por que dá resultado
Os estudantes que vão diretamente do trabalho para a escola não ficam com fome e podem se concentrar mais nas aulas. 

Onde deu certo 
Na EM Diógenes Ribeiro de Mendonça, em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, a merenda é servida antes das aulas e inclui refeições reforçadas com carne-seca e abóbora. Bem alimentados, os alunos têm mais disposição para se concentrar nos estudos e não chegam atrasados. Além disso, há o cuidado para que se sintam acolhidos e vejam a instituição como uma parceira - é comum os estudantes desistirem de estudar por problemas de saúde, com a família ou de desemprego. Quem falta por mais de três dias recebe um telefonema da escola. Se, mesmo assim, o aluno continua ausente, o professor e os colegas escrevem uma carta para dizer que estão sentindo a falta dele e pedir que volte logo. E, se preciso, alguém da equipe gestora vai até a casa do faltoso para conversar pessoalmente. "Manter uma relação próxima e amistosa ajuda a evitar a evasão", diz a diretora, Kátia Christina Fernandes.

Fonte: Revista Nova Escola


EJA - Volta às aulas: como organizar a recepção dos alunos

EJA  - Volta às aulas: como organizar a recepção dos alunos
Para integrar os alunos novos e receber bem os antigos, é preciso planejamento e cuidado
Fonte: Nova Escola
Com apuração de Camila Camilo. Editado por Elisa Meirelles
O ano letivo começa e muita coisa muda na escola. Alunos novos chegam e os que já estudavam na unidade no ano anterior são reorganizados em outras turmas, com colegas e professores diferentes. Planejar a volta às aulas é fundamental. É preciso integrar os novatos, acolher quem retorna e garantir o melhor ambiente para que todos convivam. "É importante que os estudantes notem que houve preparo para o momento de recebê-los", defende Jussara Tortella, professora do programa de pós-graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas).

O fundamental nos primeiros dias é criar um ambiente de acolhida, em que cada um se sinta pertencente ao espaço escolar. Esse ambiente aparece em decisões planejadas - como a exposição de mensagens de boas-vindas nas paredes, a apresentação da escola aos novatos, as dinâmicas que o docente faz em classe para conhecer a turma etc.

"A volta às aulas deve ser preparada de acordo com o segmento em que estão os alunos", explica Célia Cassiano, diretora da EMEF Jardim Monte Belo, em São Paulo. Todo ano, ela define atividades diferenciadas para receber as crianças que chegam para cursar o Ensino Fundamental no período diurno e os mais velhos, que vão estudar à noite na Educação de Jovens e Adultos (EJA). O mesmo ocorre com escolas de Educação Infantil. Os cuidados próprios à faixa etária não podem ser esquecidos. Com os pequenos, a adaptação deve ser bem planejada para que a escola não seja vista como um ambiente hostil.

Confira nesta página e nas próximas dicas para organizar a chegada dos alunos e preparar as atividades que serão realizadas com as diferentes turmas.

Recepção das famílias
No horário de entrada, é importante que o diretor e o coordenador estejam no pátio para tirar dúvidas dos pais e ajudar os alunos, principalmente os novatos. atitudes como essa demonstram que os gestores estão abertos a questionamentos e interessados em acolher todos os estudantes desde o início do ano letivo.

Apresentação da escola
Para que os novatos conheçam o lugar em que vão estudar, é importante organizar uma equipe para recepcioná-los, mostrar as dependências da instituição e apresentar os funcionários. Uma sugestão é propor que os estudantes mais antigos fiquem responsáveis por essa visita guiada. assim, os novos já começam a conhecer a turma.

Integração dos alunos
Estimule os novos estudantes a participar de grupos mistos, formados por alunos de diferentes anos. Essas equipes podem ser organizadas pelos próprios estudantes, de acordo com as áreas de interesse deles. Grupos de jardinagem, teatro e esportes são algumas opções.

Cuidado com os novatos
Quando ainda não conhecem os colegas, crianças e jovens que acabaram de chegar tendem a ficar mais retraídos. para evitar esse isolamento, é importante que a escola planeje atividades para momentos como o intervalo. nos primeiros dias, é bom também pedir que os educadores prestem atenção extra nos novatos para que não fiquem sozinhos.


7 ações para combater a evasão na EJA


Conheça a seguir algumas medidas que ajudam a diminuir as faltas e a evasão de jovens e adultos
Marcelo Andrade. Com reportagem de Anderson Moço, de Niterói, RJ, Beatriz Santomauro, de São João do Oeste, SC, e Paola Gentile, de Silves, AM

1 Uso de variadas linguagens
O que é 
Incorporar atividades relacionadas à arte e à cultura. 

Por que dá resultado
Utilizar linguagens alternativas, como a música, o cordel e o teatro, facilita o aprendizado, principalmente de estudantes mais velhos, que geralmente têm mais proximidade com a cultura popular. 

Onde deu certo 
Em Salvador, no bairro Pariri, um subúrbio ferroviário, a direção do CE Sete de Setembro chamou a atenção dos alunos de EJA com projetos de música, cultura e literatura. Um deles é o Tempo de Artes Literárias, que promove uma competição saudável na escola ao estimular a produção de textos (prosa e poesia) por meio de rodas e saraus literários. Em 2009, o vencedor saiu de uma das turmas de EJA. Também foram realizados festivais para incentivar a produção musical e trabalhos de temática afro-brasileira e indígena. "A culinária desses povos, por exemplo, pode ser explorada nas aulas de Matemática, ao falar das quantidades de ingredientes utilizados em cada prato", explica Diógenes Ribeiro, diretor da escola. Ele credita o sucesso dessas ações ao uso da linguagem oral - em que muitos adultos têm desenvoltura - juntamente com a escrita.

2 Reorganização do tempo
O que é 
Elaborar um cronograma de aulas ajustado à disponibilidade dos alunos. 

Por que dá resultado
Organizar os dias e horários das disciplinas segundo as necessidades da turma garante o atendimento contínuo e a reposição de aulas. 

Onde deu certo 
A EEB Madre Benvenuta, em São João do Oeste, a 698 quilômetros de Florianópolis, passou em 2009 por uma reformulação em seu sistema de ensino para as turmas de EJA. A ideia, implantada nas cinco escolas estaduais da região, foi oferecer duas disciplinas por semestre, com aulas presenciais duas vezes por semana - de preferência, entre segunda e quinta-feira. "A gente evita as sextas porque tem muita programação na comunidade e os alunos acabam faltando", explica Roque Neiss, coordenador do Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) da cidade. Pesquisas, lições de casa e outras atividades complementam a carga horária de estudo. São, portanto, menos horas presenciais e mais trabalhos a distância. Tudo é corrigido pelo professor, que leva para casa as tarefas e as devolve com comentários. As faltas permitidas se limitam a duas por semestre - desde que avisadas. O aluno pode, depois, combinar um horário com o docente para repor o conteúdo perdido. "Essa organização contribuiu para que muitos adultos que tinham desistido de estudar voltassem para a escola", comemora Neiss.

Marcelo Andrade (gestaoescolar@fvc.org.br). Com reportagem de Anderson Moço, de Niterói, RJ, Beatriz Santomauro, de São João do Oeste, SC, e Paola Gentile, de Silves, AM

3 Currículo contextualizado
O que é 
Construir um currículo que dê mais significado à aprendizagem. 

Por que dá resultado
Associar temas do cotidiano às disciplinas faz com que os alunos entendam o assunto com mais facilidade. 

Onde deu certo 
A Escola do Batatal, localizada na área rural de Mangaratiba, a 103 quilômetros do Rio de Janeiro, fez uma série de ajustes no currículo depois que indústrias do setor siderúrgico e de energia se instalaram no local. As diretoras Lucilene de Souza e Adriana Lopes da Silva criaram eixos temáticos para tratar os diversos assuntos surgidos com o desenvolvimento da região. Entre eles, a relação entre a urbanização e a vida no campo, a socialização como uma forma de integração da comunidade a seu entorno e o uso da tecnologia no cotidiano. Visitas ao caixa eletrônico e ao shopping center, por exemplo, foram organizadas para familiarizar a turma com as novidades. A iniciativa fazia parte do projeto Relendo o Mundo pelas Lentes da Educação, que mereceu a Medalha Paulo Freire, do Ministério da Educação (MEC), em 2009, na categoria Alfabetização de Jovens e Adultos.

Marcelo Andrade (gestaoescolar@fvc.org.br). Com reportagem de Anderson Moço, de Niterói, RJ, Beatriz Santomauro, de São João do Oeste, SC, e Paola Gentile, de Silves, AM

4 Articulação com empresas
O que é 
Entrar em contato com empresários do setor público e privado para estabelecer parcerias com a finalidade de facilitar o acesso dos alunos à escola e evitar atrasos. 

Por que dá resultado
Melhorar o transporte público nos bairros escolares ou estimular os funcionários a estudar, flexibilizando o horário de trabalho, são bons exemplos de parcerias que podem ser sugeridas aos empresários. 

Onde deu certo 
A oferta precária de transporte no bairro da EMEF Reginaldo de Souza Lima, em Paragominas, fez com que a direção da escola e a Secretaria Municipal de Educação procurassem as empresas de ônibus para melhorar a regularidade das linhas no período noturno. Também foram promovidas reuniões com dirigentes de empresas privadas e públicas, nas quais os alunos trabalhavam para conscientizá-los da importância de incentivar os funcionários a frequentar a sala de aula. Outras medidas adotadas com êxito: flexibilizar o horário de entrada em 15 minutos, alterar as datas das provas quando o estudante não pode ir devido ao trabalho e realizar visitas dos orientadores educacionais à casa daqueles que faltam para convencê-los a voltar.

Marcelo Andrade. Com reportagem de Anderson Moço, de Niterói, RJ, Beatriz Santomauro, de São João do Oeste, SC, e Paola Gentile, de Silves, AM

5 Atendimento aos filhos
O que é 
Criar uma infrasestrutura para receber os filhos dos alunos. 

Por que dá resultado
Para os alunos que não têm com quem deixar os filhos, levá-los à escola enquanto estudam pode ser determinante para que não faltem às aulas. 

Onde deu certo 
Quando foi diretora da EM Nossa Senhora das Graças, em Silves, a 300 quilômetros de Manaus, Francisca Artemísia Almeida da Silva tinha três turmas de EJA na escola. Entre 2004 e 2008, ela recebeu o programa Reescrevendo o Futuro, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em parceria com a Secretaria Estadual de Educação. Como o número de mulheres com filhos pequenos matriculadas no programa era alto, ela designou uma funcionária de serviços gerais para cuidar das crianças que iam com os pais para lá - medida sem custo, visto que foi feito um remanejamento de funções. "Reservamos uma sala com brinquedos e demos um lanche para que as mães possam estudar tranquilas. As que têm bebês podem ficar com eles na sala de aula. Faltas mesmo, só em caso de doença", diz Francisca.

6 Atendimento individual
O que é 
Oferecer um plano de estudos personalizado segundo as possibilidades de cada aluno. 

Por que dá resultado
Planejar aulas de forma individualizada permite que cada adulto estude de acordo com seu ritmo e com o tempo disponível. 

Onde deu certo 
No CE Duque de Caxias, localizado em Corbélia, a 513 quilômetros de Curitiba, o estudante monta sua grade de horários segundo as disciplinas oferecidas e sua disponibilidade de tempo. É possível, por exemplo, cursar apenas uma matéria em um semestre e passar para três no seguinte. "Eles recebem orientações do professor separadamente, apesar de assistirem às aulas em grupos", explica a diretora da escola Nilcéa Schwambach Medeiros. Assim, um aluno que trabalha na agricultura, como muitos na região, pode faltar até 30 dias em época de colheita sem se prejudicar. "Se fossem reprovados por faltas, eles nem fariam a matrícula", diz Elcio Luis Vitalli, vice-diretor da escola.

 Acolhimento e merenda
O que é 
Oferecer refeição aos alunos e incentivá-los a estudar. 

Por que dá resultado
Os estudantes que vão diretamente do trabalho para a escola não ficam com fome e podem se concentrar mais nas aulas. 

Onde deu certo 
Na EM Diógenes Ribeiro de Mendonça, em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, a merenda é servida antes das aulas e inclui refeições reforçadas com carne-seca e abóbora. Bem alimentados, os alunos têm mais disposição para se concentrar nos estudos e não chegam atrasados. Além disso, há o cuidado para que se sintam acolhidos e vejam a instituição como uma parceira - é comum os estudantes desistirem de estudar por problemas de saúde, com a família ou de desemprego. Quem falta por mais de três dias recebe um telefonema da escola. Se, mesmo assim, o aluno continua ausente, o professor e os colegas escrevem uma carta para dizer que estão sentindo a falta dele e pedir que volte logo. E, se preciso, alguém da equipe gestora vai até a casa do faltoso para conversar pessoalmente. "Manter uma relação próxima e amistosa ajuda a evitar a evasão", diz a diretora, Kátia Christina Fernandes.

Fonte: Revista Nova Escola