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segunda-feira, 17 de junho de 2013

LUDICIDADE

ASPECTOS PEDAGÓGICOS DO JOGO E DA LUDICIDADE

Cláudio Santos Réche

APRESENTAÇÃO

A Educação Física costuma ser a disciplina mais lembrada pela grande maioria das pessoas que passam por uma Escola.
Existem:

  • Aqueles que gostavam, que participavam e que tinham um bom desempenho, lembram com prazer, com alegria e, a todo instante, quando este assunto vem à tona, se vangloriam.

  • Aqueles que gostavam, que participavam, mas não tinham um bom desempenho, eram meio sem jeito, lembram e riem muito daqueles tempos.


  • Aqueles que não gostavam que esporadicamente participavam ou pelo menos tentavam, na maioria das vezes sem sucesso algum, lembram com certo receio e um pouco de timidez, preferindo outros assuntos.

  • E ainda existem aqueles que não gostavam e que eram obrigados a fazer aula. Esses lembram com raiva da disciplina e, muitas vezes, raiva do Professor quase sempre com desgosto, ou seja, uma lembrança negativa.

Porém, a Educação Física sempre marcará a vida de todos, pois é uma disciplina trabalhada fora das quatro paredes de forma a, pelo menos, atrair pela liberdade.

Sendo assim, é fundamental, àquele que atua com Educação, tenha uma forma de trabalhar similar à do Profissional de Educação Física, para que traga sempre prazer na execução e alegria no resultado final, objetivando as boas lembranças futuras e a certeza de ter auxiliado, através de desafios, superações de fracassos, convivência e respeito às normas de conduta, combinados, regras dos jogos, competições e suas emoções, enfim, na formação de um cidadão participativo, quando da construção do planejamento, combinados ou normas de conduta; responsável, quando do cumprimento das regras e consciente, quando do respeito aos colegas, da variação das emoções, da superação de fracassos, desafios, etc.



PALVRAS MÁGICAS

Sem a intenção de criar formas de conduta, modelos, paradigmas ou qualquer outra coisa do gênero, a intenção desse estudo é simplesmente, de ser mais uma forma, de tantas outras, porém, com enfoque em pontos considerados fundamentais para o sucesso futuro do trabalho do Profissional de Educação.
Sendo assim, torna-se importante, primeiramente, o entendimento de alguns pontos considerados basais para se trabalhar com a Educação:


1. INDIVIDUALIDADE

Cada aluno tem seu tempo, seu ritmo, suas qualidades e defeitos e, conhecer, respeitar e usar isso como referência no desenvolvimento das atividades, é bom para quem trabalha e melhor ainda para quem faz.
A doutrina jurídica reforça tal entendimento quando preceitua que a verdadeira igualdade constitucional está em tratar de forma igual aos iguais e de forma desigual aos desiguais.


2. REFERÊNCIA

Nesse ponto, releva observar duas formas de se utilizar a Referência:

I. A Referência para demonstração de um exercício, fundamento, gesto, gingado ou qualquer elemento que componha ou complete uma atividade. Pede-se a um aluno já se sabe, saiba realizar pelo menos próximo do ideal, para demonstrar, aproximando a execução às possibilidades da criança. Muitas vezes, a demonstração pelo adulto assusta e impõe barreiras à criança.

II. Referência para o aprendizado.
Sabe-se que o fundamental para o aprendizado é a repetição. Repetir faz apreender e apreender constrói o aprendizado pela automatização.
É fundamental, porém, que o referencial para o desenvolvimento da aprendizagem seja a própria criança, onde esta confrontará seus resultados presentes aos passados e a busca de sucesso futuro.
Não permitir, e isso é importantíssimo, que o aluno tenha medo de errar ou de tentar. É essencial à criança a certeza de que se errar agora poderá acertar depois e que o mais importante é querer fazer e tentar fazer da melhor maneira possível. O sucesso virá, seja ele qual for.


3. EMOÇÃO

A afetividade deverá ser um suporte em todos os momentos. A palavra mais correta talvez seja AMOR. Amor pelo que faz e amor para com quem fazem.
Além disso, o prazer e a alegria de quem faz deverá ser a tônica no trabalho de Educação Física.


4. CRIATIVIDADE

Valorizar os atos criativos tanto de quem trabalha, quanto de quem faz a Educação é uma experiência fascinante e traz muitas surpresas valiosas e agradáveis.


5. LUDICIDADE

O lúdico é sempre prazeroso. É a busca da realização pela forma mais pura e suave de se trabalhar. A brincadeira, a fantasia, devem ser instrumentos utilizados para a execução das atividades propostas, evitando os exageros, como formas de busca do sucesso pelo prazer e não pela necessidade. O sucesso se tornará menos material e mais desejado.


O JOGO

Um dos meios pelo qual as pessoas formam ou expõem traços de sua personalidade. É, pois, uma atividade lúdica que visa a diversão, porém, muito utilizado no exercício de uma educação ativa.
Durante o jogo pode-se observar diversas características dos participantes. Tal atividade permite o trabalho de discussão de situações fáticas ocorridas durante o jogo, permitindo assim o exercício da visão crítica e o reconhecimento de atitudes socialmente aceitas.
Fato interessante a ser destacado é a diversidade de desentendimentos, conflitos ou incidentes que propiciam a discussão sobre conceitos éticos e morais.

O JOGO como Brincadeira: Passatempo, entretimento, entretenimento (distração), divertimento

O JOGO como: Atividade física ou mental organizada por um sistema de regras que definem a perda ou o ganho.


COMO TRABALHAR?


Jogos de estafeta; Piques; Brincadeiras de roda; Atividades com pneus, arcos, sucata, cordas; Ginástica historiada; Imitações; Jogos cantados; Dança; Correr, Saltar, Engatinhar, dentre outras.
Releva ressaltar quem tendo uma atividade como foco, a criatividade de quem atua na Educação faz com que uma atividade se transforme em diversas, com alterações pequenas e gradativas que podem aumentar ou diminuir o grau de complexidade ou dificuldade, tornando-a sempre diferente e atrativa.

Como exemplo, podemos usar a brincadeira “Coelhinho sai da toca”:

Formação: Círculos riscados no chão (tocas), com um número menor que o de participantes (coelhinhos). Coelhinhos (participantes) dentro das tocas (círculos) e um participante fora.
Desenvolvimento: Ao comando: “Coelhinho sai da toca!” os participantes deverão trocar de lugar e o que está fora, tentará conseguir uma toca e assim sucessivamente.

Importante: - Os comandos devem ser claros e de fácil compreensão.

Interessante: - Variar o número de círculos (tocas) para duas a menos, ou três, quatro, de acordo com seu interesse e necessidade.
                      - Variar os comandos: “Pé esquerdo na toca!” (o pé direito fora da toca), “Coelhinho fora da toca!” (os dois pés fora da toca), “Coelhinho dentro da toca!”, “Coelhinho sai da toca saltando com os dois pés!” e aquele que estiver fora acusa aquele que errar e assume o seu lugar ou conquista seu lugar obedecendo ao comando.

Enfim, peçam também que as crianças criem variações e verão o que a imaginação de uma criança é capaz.



COMO AVALIAR?

Sempre de forma sistêmica, como degraus de uma escada, que deve ser gradativamente vencida, observando o grau de satisfação, interesse e participação, além das já tradicionais preocupações com o aprendizado, aquisição de conhecimento e desenvolvimento das habilidades ou na consecução dos objetivos propostos no planejamento.




DA TEORIA À PRÁTICA


1.      IMPORTANTE

a) Planeje antecipadamente as atividades de cada aula, levando em consideração a individualidade, as condições do local, etc.

b) Tenha pleno conhecimento dos jogos ou atividades a serem trabalhadas, isso facilitará tanto no momento da explicação, quanto nas variações.

c) Atenção para:
· Encerrar a atividade antes que esta perca o interesse;
· Que ninguém fique sem participar, a não ser por um motivo justo;
· A imparcialidade. Tente ser o mais justo ou o menos injusto possível;

d) Alegria, muita alegria!

e) Não tenha medo de mudar seu planejamento, seja o plano de aula ou até o anual. Eles servem de referência e a sua percepção e criatividade serão suas aliadas nesses momentos.


2.      MATERIAL

Vários materiais industrializados, manufaturados ou o que quer que sejam já estão à disposição de todos.
Porém, nada mais gostoso do que construir o material a ser utilizado nas aulas, junto com as próprias crianças, lembrando ser ideal a variação de pesos, tamanhos, cores e formas.
Assim, haverá certo compromisso dos alunos na preservação dos mesmos, tendo em vista conhecerem o trabalho que deu na construção destes, sem contar, que as aulas utilizadas para esse fim, serão de grande valia e satisfação para todos.
Como exemplo pode-se destacar o uso de garrafas plásticas de 2 litros (PET), que podem ser utilizadas inteiras; cortadas, com ou sem tampa; somente a tampa; enfim, uma variação assustadora. Saquinhos de areia, bolas de meia, bastões, canos plásticos para construção de bambolês ou arcos de diversos tamanhos, etc. Aliado a isso, eleja semanalmente um ou uma dupla responsável pela guarda do material.


3.                  ALGUMAS BRINCADEIRAS/ATIVIDADES

a.                  Brincadeiras de Roda
b.                  Corre Cotia
c.                  Batata quente
d.                 Imitações (robô, gigante, anão, etc.)
e.                  Morto – Vivo
f.                   Pare – Bola
g.                  Com quem está a bola
h.                  Estafetas
i.                    Pique – Corrente
j.                    Estátua
k.                  Nunca Três
l.                    Cesto de Lixo
m.                Bandeirinha (Rouba Bandeira)
n.                  Atravessando o Rio
o.                  Coelhinho sai da Toca

E muitas outras. Porém, algumas brincadeiras/atividades lúdicas diferentes e muito interessantes serão descritas a seguir:


3.1. FRANGO DEPENADO

MATERIAL: Prendedores de roupas, giz e fundos de garrafa plástica (PET).

FORMAÇÃO: Um participante, com prendedores por toda roupa do corpo, ficará em pé, no centro de um círculo riscado no chão.

DESENVOLVIMENTO: Ao sinal, os participantes que estão fora do círculo tentarão pegar a maior quantidade de penas (pregadores) do frango (participante do círculo), depenando-o o mais rápido possível. Será vencedor o participante que tirar mais penas do frango, deixando-o depenado.


IMPORTANTE:        + o frango que será depenado não poderá sair do círculo e nem impedir que lhe tirem as penas;
                                   + os depenadores não poderão empurrar, puxar ou derrubar o frango;
                                   + as penas retiradas serão contadas em voz alta, para que os demais alunos concorrentes tomem conhecimento do participante vitorioso.

INTERESSANTE:     + realizar a atividade em duplas, trios ou grupos de mais participantes;
                                   + usar pregadores com cores diferentes (de plástico ou de madeira pintados pelos próprios alunos), onde cada cor valerá um determinado ponto (interdisciplinar com matemática), somando-se os pontos até chegar ao resultado final;
                                   + Use a sua criatividade e construa junto aos seus alunos mais variações.


3.2. POR FAVOR

FORMAÇÃO: O professor leva a turma para o pátio ou quadra e pede aos alunos que se coloquem de pé, lado a lado, formando uma meia lua.

DESENVOLVIMENTO: O professor explica à turma que ele dará alguns comandos, mas que somente deverão ser cumpridos se ele pedir POR FAVOR.

O professor então inicia a brincadeira, tentando confundir os alunos:
_ Atenção Turma! Por Favor, assentados.
_ Por Favor, mãos para o alto.
_ Mãos na cabeça.
_ Por Favor, de joelhos.
_ Por Favor, todos de pé.
_ Levantar a perna

... E assim por diante.

IMPORTANTE:        + os comandos que não forem precedidos de Por Favor, e que forem executados, serão considerados como erros.
                                   + o aluno que errar pagará uma prenda (cantar, dançar, imitar, etc.)
INTERESSANTE:     + combinar antes com os alunos qual a prenda e como executá-la, ou se a escolha será livre entre os quesitos propostos.
                                   + essa brincadeira/atividade reforça o uso da expressão POR FAVOR, muito importante em nosso dia-a-dia.


3.3. ZOOLÓGICO

FORMAÇÃO: O professor leva os alunos para o pátio e todos se assentam no chão, formando uma roda. Cada aluno escolhe ser um animal que quiser.

DESENVOLVIMENTO: O professor inicia a brincadeira dizendo:

_ Fui ao zoológico e vi que lá não tinha elefante.                                           O aluno que escolheu esse animal retruca, imediatamente:
_ Elefante tinha, o que não tinha era macaco.
_ Macaco tinha, o que não tinha era camelo.

E assim por diante. O aluno que não responder imediatamente, quando citado o animal que ele escolheu, pagará uma prenda.

IMPORTANTE:        + se as crianças não conhecerem zoológico, faça-lhes um relato sobe o local e a variedade de bichos que podem ser vistos em um zoológico, incluindo fotos ou filmes. Caso seja momentaneamente impossível, mude para Floresta e assim, provavelmente saberão identificar vários animais.
                                   + use as prendas dançar, cantar, imitar, se possível, relacionados aos bichos, ou outras a serem definidas pelos alunos antecipadamente.
INTERESSANTE:     + de acordo com a turma, variar com MAMÍFEROS, AVES, etc.  


3.4. A MENSAGEM SURPRESA


FORMAÇÃO: O grupo é dividido em duas equipes, que ficarão atrás da linha de saída, formando colunas. Distantes uns dez metros estarão folhas de papel dobradas, dentro de um círculo riscado no chão, ocultando a Mensagem Surpresa.

DESENVOLVIMENTO: Ao sinal, o primeiro vai até o local onde está a Mensagem Surpresa, pega-a e entrega-a ao segundo, que vai até o círculo, dando uma volta nele, volta e entrega ao terceiro e assim sucessivamente. Somente o último é que, quando chegar até o círculo, vai ler a Mensagem e executar conforme descrito. Quem primeiro cumprir tudo corretamente e executar a ordem da Mensagem é que vencerá. A equipe perdedora pagará prenda.

IMPORTANTE:        + a prenda da equipe perdedora pode ser a execução da Mensagem por todos da equipe, ao mesmo tempo.

INTERESSANTE:     + a mensagem poderá ser fragmentada, escrita em diversos papéis, devendo ser construída ao final e executada.
                                   + os papéis poderão estar numerados interna ou externamente ou mesmo sem numeração alguma, facilitando ou dificultando a realização de acordo com o objetivo.


3.5. CAMINHO DA CORDA

FORMAÇÃO: Alunos em uma coluna, tendo à frente uma corda estendida no chão de aproximadamente três metros.

DESENVOLVIMENTO: Os alunos deverão caminhar, de acordo com os comandos do professor, ora sobre a corda, ora saltando de um lado para outro... Ou assim:     _ Na ponta dos pés; _ Andando de costas; _ Saltando com o pé direito, etc., com todos os alunos executando cada comando, antes de mudá-lo.


IMPORTANTE:        + após alguns comandos, deixe as crianças criarem situações e formas de passar sobre a corda.
                                   + use imitações para estimular ainda mais a participação.


INTERESSANTE:     + faça um risco de giz no pátio da Escola e faça a brincadeira.
                                   + as crianças poderão construir o risco através de outra atividade, o que pode ser uma variação contagiante.



3.6. BOLICHE COM GARRAFAS PLÁSTICAS DE 2L (PET)


IMPORTANTE:        + as garrafas devem estar com um pouco de areia.
                                   + as bolas de meia devem ser maiores e mais pesadas.


INTERESSANTE:     + pode-se variar a brincadeira, usando garrafas com mais areia e bolas menores, onde o objetivo estaria em passar as bolas entre as garrafas e quem derrubar mais perde a brincadeira.

3.7. EMPILHA E DESEMPILHA


MATERIAL: Vinte latinhas de Nescau, leite condensado ou outra qualquer, pintadas ou forradas com papéis coloridos.

FORMAÇÃO: No pátio, o Professor divide a turma em duas fileiras, formando assim, duas equipes. A uns oito metros à frente de cada fileira, o Professor coloca dez latas empilhadas (quatro latas na base, três latas em cima destas duas e depois uma).

DESENVOLVIMENTO: O Professor dá um sinal de início, e o primeiro aluno de cada equipe sai correndo em direção às latas empilhadas, desarrumando-as, volta correndo em direção à sua fileira, bate na mão do segundo colega e vai se colocar no último lugar. O segundo aluno de cada equipe sai correndo em direção às latinhas e empilha-as, como estavam, volta correndo e bate na mão do terceiro aluno de sua fileira, e assim sucessivamente, até que todos tenham participado.Será considerada vencedora a equipe que terminar em primeiro lugar.

IMPORTANTE:        + orientar ao aluno a desempilhar as latinhas sem danificá-las.

INTERESSANTE:     + pode-se variar, aumentando o número de vezes que cada aluno executará a ação.
                                   + pode-se variar a forma de se dirigir às latas (em um pé só, saltando com os dois pés juntos, de costas, etc.)


3.8. CORRIDA COM JORNAIS


MATERIAL: Duas folhas de jornal para cada aluno.

FORMAÇÃO: No pátio, o Professor traçará no chão, duas linhas que deverão estar afastadas dez metros uma da outra, sendo uma de partida e outra de chegada. Os alunos formam duas equipes, com o mesmo número de alunos, que se colocam em filas, atrás da linha de partida, cada um segurando duas folhas de jornal.

DESENVOLVIMENTO: Quando o Professor der o sinal para iniciar a corrida, um aluno de cada equipe coloca no chão, à sua frente, uma das folhas de jornal e pisa sobre ela. Em seguida, coloca a outra folha na frente, dá mais um passo e pega a folha que ficou pra trás. Coloca-a então, novamente no chão, à sua frente, para pisá-la, e assim sucessivamente, até atingir a linha de chegada. Os alunos se deslocam sobre uma folha e outra, até o final do percurso. Será vencedora a equipe em que o último aluno da fila atingir primeiro a linha de chegada.

IMPORTANTE:        + tenha sempre jornal reserva, para substituir aos que rasgarem.

INTERESSANTE:     + pode-se variar usando bambolê no lugar do jornal.


3.9. SAQUINHOS DIVERTIDOS


MATERIAL: Saquinhos de areia, pequenos e de formas variadas, um para cada aluno.

DESENVOLVIMENTO: Diversas formas:

a) andar equilibrando o saquinho na cabeça, no ombro, no dorso da mão, no pescoço, etc.
b) andar jogando o saquinho para cima e pegando-o, sem deixá-lo cair. Pode-se variar, jogando com umas das mãos e pegando com a outra, etc.
c) pulando com o saquinho preso entre os joelhos...


 ASPECTOS PEDAGÓGICOS DO JOGO E DA LUDICIDADE

Cláudio Santos Réche

APRESENTAÇÃO

A Educação Física costuma ser a disciplina mais lembrada pela grande maioria das pessoas que passam por uma Escola.
Existem:

  • Aqueles que gostavam, que participavam e que tinham um bom desempenho, lembram com prazer, com alegria e, a todo instante, quando este assunto vem à tona, se vangloriam.

  • Aqueles que gostavam, que participavam, mas não tinham um bom desempenho, eram meio sem jeito, lembram e riem muito daqueles tempos.


  • Aqueles que não gostavam que esporadicamente participavam ou pelo menos tentavam, na maioria das vezes sem sucesso algum, lembram com certo receio e um pouco de timidez, preferindo outros assuntos.

  • E ainda existem aqueles que não gostavam e que eram obrigados a fazer aula. Esses lembram com raiva da disciplina e, muitas vezes, raiva do Professor quase sempre com desgosto, ou seja, uma lembrança negativa.

Porém, a Educação Física sempre marcará a vida de todos, pois é uma disciplina trabalhada fora das quatro paredes de forma a, pelo menos, atrair pela liberdade.

Sendo assim, é fundamental, àquele que atua com Educação, tenha uma forma de trabalhar similar à do Profissional de Educação Física, para que traga sempre prazer na execução e alegria no resultado final, objetivando as boas lembranças futuras e a certeza de ter auxiliado, através de desafios, superações de fracassos, convivência e respeito às normas de conduta, combinados, regras dos jogos, competições e suas emoções, enfim, na formação de um cidadão participativo, quando da construção do planejamento, combinados ou normas de conduta; responsável, quando do cumprimento das regras e consciente, quando do respeito aos colegas, da variação das emoções, da superação de fracassos, desafios, etc.



PALVRAS MÁGICAS

Sem a intenção de criar formas de conduta, modelos, paradigmas ou qualquer outra coisa do gênero, a intenção desse estudo é simplesmente, de ser mais uma forma, de tantas outras, porém, com enfoque em pontos considerados fundamentais para o sucesso futuro do trabalho do Profissional de Educação.
Sendo assim, torna-se importante, primeiramente, o entendimento de alguns pontos considerados basais para se trabalhar com a Educação:


1. INDIVIDUALIDADE

Cada aluno tem seu tempo, seu ritmo, suas qualidades e defeitos e, conhecer, respeitar e usar isso como referência no desenvolvimento das atividades, é bom para quem trabalha e melhor ainda para quem faz.
A doutrina jurídica reforça tal entendimento quando preceitua que a verdadeira igualdade constitucional está em tratar de forma igual aos iguais e de forma desigual aos desiguais.


2. REFERÊNCIA

Nesse ponto, releva observar duas formas de se utilizar a Referência:

I. A Referência para demonstração de um exercício, fundamento, gesto, gingado ou qualquer elemento que componha ou complete uma atividade. Pede-se a um aluno já se sabe, saiba realizar pelo menos próximo do ideal, para demonstrar, aproximando a execução às possibilidades da criança. Muitas vezes, a demonstração pelo adulto assusta e impõe barreiras à criança.

II. Referência para o aprendizado.
Sabe-se que o fundamental para o aprendizado é a repetição. Repetir faz apreender e apreender constrói o aprendizado pela automatização.
É fundamental, porém, que o referencial para o desenvolvimento da aprendizagem seja a própria criança, onde esta confrontará seus resultados presentes aos passados e a busca de sucesso futuro.
Não permitir, e isso é importantíssimo, que o aluno tenha medo de errar ou de tentar. É essencial à criança a certeza de que se errar agora poderá acertar depois e que o mais importante é querer fazer e tentar fazer da melhor maneira possível. O sucesso virá, seja ele qual for.


3. EMOÇÃO

A afetividade deverá ser um suporte em todos os momentos. A palavra mais correta talvez seja AMOR. Amor pelo que faz e amor para com quem fazem.
Além disso, o prazer e a alegria de quem faz deverá ser a tônica no trabalho de Educação Física.


4. CRIATIVIDADE

Valorizar os atos criativos tanto de quem trabalha, quanto de quem faz a Educação é uma experiência fascinante e traz muitas surpresas valiosas e agradáveis.


5. LUDICIDADE

O lúdico é sempre prazeroso. É a busca da realização pela forma mais pura e suave de se trabalhar. A brincadeira, a fantasia, devem ser instrumentos utilizados para a execução das atividades propostas, evitando os exageros, como formas de busca do sucesso pelo prazer e não pela necessidade. O sucesso se tornará menos material e mais desejado.


O JOGO

Um dos meios pelo qual as pessoas formam ou expõem traços de sua personalidade. É, pois, uma atividade lúdica que visa a diversão, porém, muito utilizado no exercício de uma educação ativa.
Durante o jogo pode-se observar diversas características dos participantes. Tal atividade permite o trabalho de discussão de situações fáticas ocorridas durante o jogo, permitindo assim o exercício da visão crítica e o reconhecimento de atitudes socialmente aceitas.
Fato interessante a ser destacado é a diversidade de desentendimentos, conflitos ou incidentes que propiciam a discussão sobre conceitos éticos e morais.

O JOGO como Brincadeira: Passatempo, entretimento, entretenimento (distração), divertimento

O JOGO como: Atividade física ou mental organizada por um sistema de regras que definem a perda ou o ganho.


COMO TRABALHAR?


Jogos de estafeta; Piques; Brincadeiras de roda; Atividades com pneus, arcos, sucata, cordas; Ginástica historiada; Imitações; Jogos cantados; Dança; Correr, Saltar, Engatinhar, dentre outras.
Releva ressaltar quem tendo uma atividade como foco, a criatividade de quem atua na Educação faz com que uma atividade se transforme em diversas, com alterações pequenas e gradativas que podem aumentar ou diminuir o grau de complexidade ou dificuldade, tornando-a sempre diferente e atrativa.

Como exemplo, podemos usar a brincadeira “Coelhinho sai da toca”:

Formação: Círculos riscados no chão (tocas), com um número menor que o de participantes (coelhinhos). Coelhinhos (participantes) dentro das tocas (círculos) e um participante fora.
Desenvolvimento: Ao comando: “Coelhinho sai da toca!” os participantes deverão trocar de lugar e o que está fora, tentará conseguir uma toca e assim sucessivamente.

Importante: - Os comandos devem ser claros e de fácil compreensão.

Interessante: - Variar o número de círculos (tocas) para duas a menos, ou três, quatro, de acordo com seu interesse e necessidade.
                      - Variar os comandos: “Pé esquerdo na toca!” (o pé direito fora da toca), “Coelhinho fora da toca!” (os dois pés fora da toca), “Coelhinho dentro da toca!”, “Coelhinho sai da toca saltando com os dois pés!” e aquele que estiver fora acusa aquele que errar e assume o seu lugar ou conquista seu lugar obedecendo ao comando.

Enfim, peçam também que as crianças criem variações e verão o que a imaginação de uma criança é capaz.



COMO AVALIAR?

Sempre de forma sistêmica, como degraus de uma escada, que deve ser gradativamente vencida, observando o grau de satisfação, interesse e participação, além das já tradicionais preocupações com o aprendizado, aquisição de conhecimento e desenvolvimento das habilidades ou na consecução dos objetivos propostos no planejamento.




DA TEORIA À PRÁTICA


1.      IMPORTANTE

a) Planeje antecipadamente as atividades de cada aula, levando em consideração a individualidade, as condições do local, etc.

b) Tenha pleno conhecimento dos jogos ou atividades a serem trabalhadas, isso facilitará tanto no momento da explicação, quanto nas variações.

c) Atenção para:
· Encerrar a atividade antes que esta perca o interesse;
· Que ninguém fique sem participar, a não ser por um motivo justo;
· A imparcialidade. Tente ser o mais justo ou o menos injusto possível;

d) Alegria, muita alegria!

e) Não tenha medo de mudar seu planejamento, seja o plano de aula ou até o anual. Eles servem de referência e a sua percepção e criatividade serão suas aliadas nesses momentos.


2.      MATERIAL

Vários materiais industrializados, manufaturados ou o que quer que sejam já estão à disposição de todos.
Porém, nada mais gostoso do que construir o material a ser utilizado nas aulas, junto com as próprias crianças, lembrando ser ideal a variação de pesos, tamanhos, cores e formas.
Assim, haverá certo compromisso dos alunos na preservação dos mesmos, tendo em vista conhecerem o trabalho que deu na construção destes, sem contar, que as aulas utilizadas para esse fim, serão de grande valia e satisfação para todos.
Como exemplo pode-se destacar o uso de garrafas plásticas de 2 litros (PET), que podem ser utilizadas inteiras; cortadas, com ou sem tampa; somente a tampa; enfim, uma variação assustadora. Saquinhos de areia, bolas de meia, bastões, canos plásticos para construção de bambolês ou arcos de diversos tamanhos, etc. Aliado a isso, eleja semanalmente um ou uma dupla responsável pela guarda do material.


3.                  ALGUMAS BRINCADEIRAS/ATIVIDADES

a.                  Brincadeiras de Roda
b.                  Corre Cotia
c.                  Batata quente
d.                 Imitações (robô, gigante, anão, etc.)
e.                  Morto – Vivo
f.                   Pare – Bola
g.                  Com quem está a bola
h.                  Estafetas
i.                    Pique – Corrente
j.                    Estátua
k.                  Nunca Três
l.                    Cesto de Lixo
m.                Bandeirinha (Rouba Bandeira)
n.                  Atravessando o Rio
o.                  Coelhinho sai da Toca

E muitas outras. Porém, algumas brincadeiras/atividades lúdicas diferentes e muito interessantes serão descritas a seguir:


3.1. FRANGO DEPENADO

MATERIAL: Prendedores de roupas, giz e fundos de garrafa plástica (PET).

FORMAÇÃO: Um participante, com prendedores por toda roupa do corpo, ficará em pé, no centro de um círculo riscado no chão.

DESENVOLVIMENTO: Ao sinal, os participantes que estão fora do círculo tentarão pegar a maior quantidade de penas (pregadores) do frango (participante do círculo), depenando-o o mais rápido possível. Será vencedor o participante que tirar mais penas do frango, deixando-o depenado.


IMPORTANTE:        + o frango que será depenado não poderá sair do círculo e nem impedir que lhe tirem as penas;
                                   + os depenadores não poderão empurrar, puxar ou derrubar o frango;
                                   + as penas retiradas serão contadas em voz alta, para que os demais alunos concorrentes tomem conhecimento do participante vitorioso.

INTERESSANTE:     + realizar a atividade em duplas, trios ou grupos de mais participantes;
                                   + usar pregadores com cores diferentes (de plástico ou de madeira pintados pelos próprios alunos), onde cada cor valerá um determinado ponto (interdisciplinar com matemática), somando-se os pontos até chegar ao resultado final;
                                   + Use a sua criatividade e construa junto aos seus alunos mais variações.


3.2. POR FAVOR

FORMAÇÃO: O professor leva a turma para o pátio ou quadra e pede aos alunos que se coloquem de pé, lado a lado, formando uma meia lua.

DESENVOLVIMENTO: O professor explica à turma que ele dará alguns comandos, mas que somente deverão ser cumpridos se ele pedir POR FAVOR.

O professor então inicia a brincadeira, tentando confundir os alunos:
_ Atenção Turma! Por Favor, assentados.
_ Por Favor, mãos para o alto.
_ Mãos na cabeça.
_ Por Favor, de joelhos.
_ Por Favor, todos de pé.
_ Levantar a perna

... E assim por diante.

IMPORTANTE:        + os comandos que não forem precedidos de Por Favor, e que forem executados, serão considerados como erros.
                                   + o aluno que errar pagará uma prenda (cantar, dançar, imitar, etc.)
INTERESSANTE:     + combinar antes com os alunos qual a prenda e como executá-la, ou se a escolha será livre entre os quesitos propostos.
                                   + essa brincadeira/atividade reforça o uso da expressão POR FAVOR, muito importante em nosso dia-a-dia.


3.3. ZOOLÓGICO

FORMAÇÃO: O professor leva os alunos para o pátio e todos se assentam no chão, formando uma roda. Cada aluno escolhe ser um animal que quiser.

DESENVOLVIMENTO: O professor inicia a brincadeira dizendo:

_ Fui ao zoológico e vi que lá não tinha elefante.                                           O aluno que escolheu esse animal retruca, imediatamente:
_ Elefante tinha, o que não tinha era macaco.
_ Macaco tinha, o que não tinha era camelo.

E assim por diante. O aluno que não responder imediatamente, quando citado o animal que ele escolheu, pagará uma prenda.

IMPORTANTE:        + se as crianças não conhecerem zoológico, faça-lhes um relato sobe o local e a variedade de bichos que podem ser vistos em um zoológico, incluindo fotos ou filmes. Caso seja momentaneamente impossível, mude para Floresta e assim, provavelmente saberão identificar vários animais.
                                   + use as prendas dançar, cantar, imitar, se possível, relacionados aos bichos, ou outras a serem definidas pelos alunos antecipadamente.
INTERESSANTE:     + de acordo com a turma, variar com MAMÍFEROS, AVES, etc.  


3.4. A MENSAGEM SURPRESA


FORMAÇÃO: O grupo é dividido em duas equipes, que ficarão atrás da linha de saída, formando colunas. Distantes uns dez metros estarão folhas de papel dobradas, dentro de um círculo riscado no chão, ocultando a Mensagem Surpresa.

DESENVOLVIMENTO: Ao sinal, o primeiro vai até o local onde está a Mensagem Surpresa, pega-a e entrega-a ao segundo, que vai até o círculo, dando uma volta nele, volta e entrega ao terceiro e assim sucessivamente. Somente o último é que, quando chegar até o círculo, vai ler a Mensagem e executar conforme descrito. Quem primeiro cumprir tudo corretamente e executar a ordem da Mensagem é que vencerá. A equipe perdedora pagará prenda.

IMPORTANTE:        + a prenda da equipe perdedora pode ser a execução da Mensagem por todos da equipe, ao mesmo tempo.

INTERESSANTE:     + a mensagem poderá ser fragmentada, escrita em diversos papéis, devendo ser construída ao final e executada.
                                   + os papéis poderão estar numerados interna ou externamente ou mesmo sem numeração alguma, facilitando ou dificultando a realização de acordo com o objetivo.


3.5. CAMINHO DA CORDA

FORMAÇÃO: Alunos em uma coluna, tendo à frente uma corda estendida no chão de aproximadamente três metros.

DESENVOLVIMENTO: Os alunos deverão caminhar, de acordo com os comandos do professor, ora sobre a corda, ora saltando de um lado para outro... Ou assim:     _ Na ponta dos pés; _ Andando de costas; _ Saltando com o pé direito, etc., com todos os alunos executando cada comando, antes de mudá-lo.


IMPORTANTE:        + após alguns comandos, deixe as crianças criarem situações e formas de passar sobre a corda.
                                   + use imitações para estimular ainda mais a participação.


INTERESSANTE:     + faça um risco de giz no pátio da Escola e faça a brincadeira.
                                   + as crianças poderão construir o risco através de outra atividade, o que pode ser uma variação contagiante.



3.6. BOLICHE COM GARRAFAS PLÁSTICAS DE 2L (PET)


IMPORTANTE:        + as garrafas devem estar com um pouco de areia.
                                   + as bolas de meia devem ser maiores e mais pesadas.


INTERESSANTE:     + pode-se variar a brincadeira, usando garrafas com mais areia e bolas menores, onde o objetivo estaria em passar as bolas entre as garrafas e quem derrubar mais perde a brincadeira.

3.7. EMPILHA E DESEMPILHA


MATERIAL: Vinte latinhas de Nescau, leite condensado ou outra qualquer, pintadas ou forradas com papéis coloridos.

FORMAÇÃO: No pátio, o Professor divide a turma em duas fileiras, formando assim, duas equipes. A uns oito metros à frente de cada fileira, o Professor coloca dez latas empilhadas (quatro latas na base, três latas em cima destas duas e depois uma).

DESENVOLVIMENTO: O Professor dá um sinal de início, e o primeiro aluno de cada equipe sai correndo em direção às latas empilhadas, desarrumando-as, volta correndo em direção à sua fileira, bate na mão do segundo colega e vai se colocar no último lugar. O segundo aluno de cada equipe sai correndo em direção às latinhas e empilha-as, como estavam, volta correndo e bate na mão do terceiro aluno de sua fileira, e assim sucessivamente, até que todos tenham participado.Será considerada vencedora a equipe que terminar em primeiro lugar.

IMPORTANTE:        + orientar ao aluno a desempilhar as latinhas sem danificá-las.

INTERESSANTE:     + pode-se variar, aumentando o número de vezes que cada aluno executará a ação.
                                   + pode-se variar a forma de se dirigir às latas (em um pé só, saltando com os dois pés juntos, de costas, etc.)


3.8. CORRIDA COM JORNAIS


MATERIAL: Duas folhas de jornal para cada aluno.

FORMAÇÃO: No pátio, o Professor traçará no chão, duas linhas que deverão estar afastadas dez metros uma da outra, sendo uma de partida e outra de chegada. Os alunos formam duas equipes, com o mesmo número de alunos, que se colocam em filas, atrás da linha de partida, cada um segurando duas folhas de jornal.

DESENVOLVIMENTO: Quando o Professor der o sinal para iniciar a corrida, um aluno de cada equipe coloca no chão, à sua frente, uma das folhas de jornal e pisa sobre ela. Em seguida, coloca a outra folha na frente, dá mais um passo e pega a folha que ficou pra trás. Coloca-a então, novamente no chão, à sua frente, para pisá-la, e assim sucessivamente, até atingir a linha de chegada. Os alunos se deslocam sobre uma folha e outra, até o final do percurso. Será vencedora a equipe em que o último aluno da fila atingir primeiro a linha de chegada.

IMPORTANTE:        + tenha sempre jornal reserva, para substituir aos que rasgarem.

INTERESSANTE:     + pode-se variar usando bambolê no lugar do jornal.


3.9. SAQUINHOS DIVERTIDOS


MATERIAL: Saquinhos de areia, pequenos e de formas variadas, um para cada aluno.

DESENVOLVIMENTO: Diversas formas:

a) andar equilibrando o saquinho na cabeça, no ombro, no dorso da mão, no pescoço, etc.
b) andar jogando o saquinho para cima e pegando-o, sem deixá-lo cair. Pode-se variar, jogando com umas das mãos e pegando com a outra, etc.
c) pulando com o saquinho preso entre os joelhos...


A verdadeira importância da Educação Física

A verdadeira importância da Educação Física

Prof. Paulo Peixoto de Campos


         Tantas são as áreas e os caminhos da Educação Física que sua importância tamanha vai muito além “do que podem sonhar essas vãs filosofias”!
         A face sedutora da mídia (rádio, televisão, jornal, internet, etc.) se prostitui e a todos tem prostituído como se fosse o melhor “programa” não pensar muito e jogar uma bolinha, ver um jogo ou dar uma malhada tomando uma “bomba” para ficar sarado; zoar para só se distrair, e ir se distraindo o tempo todo para não refletir...
         Com isso, essa mesma mídia sem nos falar nada de mais profundo, vai calando-nos e nos calando, justamente por não nos dizer nada que acrescente algo de bom, nos chama de idiotas!
         Não é que não possamos curtir um joguinho com os amigos... não é que não devamos fazer nossa ginástica, não é isso, muito pelo contrário; mas já percebemos que há muito mais na vida do que só isso, e, além disso, nossos ídolos do esporte atuam tanto em outros “campos” se tornando garotos-propaganda quase como se fossem garotos de programa que vendem e se vendem como produtos e nos compram a opinião de forma tão barata porque estamos tão pobres; e assim vamos ficamos paupérrimos, miseráveis não só de dinheiro, pobres de tudo, inclusive de espírito e caráter! Que valores nos passam? Só o valor dos valores-financeiros que tanto têm nos desvalorizado como seres humanos! Até no jogo coletivo só se fala em individualismo, são individualidades nos dividindo!
         Tantas são as áreas da Educação Física, com benefícios não apenas para a estética e nem só para enriquecer uns poucos pelo desporto (é bom separarmos esporte de desporto)! Sim podemos torcer e apreciar toda a beleza da plástica desportiva; mas será só para aplaudirmos atletas como cobaias que estamos aqui, só para ver até onde o homem vai e o quanto corre...?
         Mas há coisas bem mais importantes e também interessantes para a vida através da Edu- cação Física do que só o entretenimento e a ilusão de que o esporte por si só salva (vide Maradona, isso para citar um “bem-sucedido”; e quando o cito fica nítido que devemos separar esporte de desporto, ou seja, mostrar  que é lazer  e vida saudável é contrária à competição Espartana doentia que vemos e até aplaudimos)!
         Saibamos que Educação Física, muito além dessas disputas que nos torna “gladiadores modernos”, é antes de tudo uma atividade intelectual e histórica, que está e sempre esteve relacionada a todas as questões da humanidade, que pode ser muito mais prática para todos do que apenas uma prática física!
         Educação Física é cultura pura: está na Medicina como prevenção e reabilitação, na Psicologia com a psicomotricidade no desenvolvimento global, na História, Geografia, nas Artes em geral, Sociologia, Antropologia e Nutrição, Fisioterapia, Literatura, Gramática, junto a todas essas áreas participando de toda a evolução da espécie humana; a Educação Física está associada a todas as matérias da escola e da escola da vida! Não, Educação Física não é mais que nenhuma destas, é tanto e tão importante quanto todas elas! E tanto quanto toda a área também tem seu compromisso profissional, assim como divino, de se utilizar (ser útil!) para a humanidade, não só para si e nem para pequenos “clãs”!
         Educação Física não é doutrina, é algo intelectual! Cultura de transformação! Tanto quanto o físico, o exercício mental buscando sempre uma saúde integral, é o ideal que na verdade, é a única forma de sermos realmente saudáveis!
Pois Educação Física é antes de “Física” Educação!
  

DICAS PARA UMA BOA REDAÇÃO

DICAS PARA UMA BOA REDAÇÃO 


Como escrever uma redação de cinco parágrafos


Esse tipo de redação é muito comum nas escolas e pode ajudá-lo com as redações do vestibular. Confira algumas dicas de como desenvolver um bom texto
Não se esqueça de fornecer créditos exatos de suas fontes e de ter fontes variadas

Uma redação de cinco parágrafos é um dos formatos literários mais usados por escritores e estudantes no suporte de uma argumentação ou dissertação. O texto é construído a partir de um argumento, tese ou afirmação específica. A estrutura é muito simples e composta por: um parágrafo introdutório, três parágrafos de desenvolvimento e um de conclusão.

Como escrever uma redação de cinco parágrafos:


A Introdução

Uma introdução bem feita deve prender a atenção do leitor e apresentar a tese ou argumento que justifica o texto. É importante que nessa parte você dê breves explicações de como irá defender ou apresentar esse argumento nos outros parágrafos de desenvolvimento. Escreva claramente qual é seu objetivo e o que você está defendendo e apresentando. Um bom parágrafo de introdução deve ser criativo, conciso e demonstrar confiança.

O Desenvolvimento

Os três parágrafos de desenvolvimento são normalmente chamados de “corpo” do texto. O principal objetivo é defender a tese com evidências e argumentos claros e sólidos. Cada parágrafo deve ter uma ênfase específica. Isso pode ser apresentado com uma breve frase no início de cada parágrafo. Isso facilita o entendimento do texto e o desenvolvimento de suas ideias e argumentos. Além disso, seus parágrafos devem conter exemplos de evidências daquilo que você está defendendo. Não se esqueça de fornecer créditos exatos de suas fontes e de ter fontes variadas.

A Conclusão

O parágrafo de conclusão esclarece novamente o objetivo do texto. Ele deve resumir brevemente os principais tópicos do texto e ligá-los às evidências apresentadas de forma que confirme o  que você está defendendo. Se feito de forma criativa e confiante, o leitor poderá refletir e confirmar aquilo que você apresentou.

Confira 5 coisas que sua conclusão DEVE ter:
1º Lembre todos os tópicos do trabalho:
Lembrar aos leitores todos os tópicos que falou e argumentos que utilizou para confirmá-los. Faça isso de forma sucinta e objetiva.
2º Faça um resumo:
Procure fazer esse resumo de forma criativa e inovadora, para que não seja apenas um repetição do que já foi abordado.
3º Sugira leituras completares:
Sugira leituras complementares que o leitor pode usar para reforçar os pontos que você defendeu em seu texto. Faça isso explicando o quanto e porque seu argumento é importante para o leitor.
4º Sintetize o seu trabalho:
Sintetize todo seu trabalho de maneira profissional e demonstre o quanto você entende do assunto, abordando o tópico de maneiras diferenciadas.
5° Seja confiante:
Seja confiante e dê a seu leitor a impressão certa sobre sua capacidade intelectual.


Confira 4 coisas que esse item NÃO DEVE possuir:
1º Propor ideias que não foram apresentadas:
Propor novas ideias que não estavam enunciadas nas páginas anteriores.
2º Introduzir novas informações:
Introduzir novas evidências ou informações.
3º Fazer um texto parecido com a introdução
Fazer o texto de forma parecida ou similar à sua introdução. Lembre-se você já apresentou esse conteúdo durante todo o trabalho.
4º Ser dramático:
Ser dramático. Na tentativa de enfatizar a importância de sua pesquisa, não seja sentimental, dramático ou sensacionalista. Apegue-se aos fatos somente.


7 dicas para criar bons títulos de redação do vestibular

03/10/2011
Primeiro contato do avaliador com a redação do vestibular, o título deve ser construído com estratégia para conquistar atenção. Simplicidade e conhecimento da norma culta da língua são essenciais para arrasar 

A prova de redação do vestibular chega a representar 50% da nota final

Vestibular é sinônimo de uma longa prova de múltipla-escolha para muitos candidatos a uma vaga em grandes universidades. Prova disso é o tempo dedicado ao estudo de todo conteúdo dos três anos de Ensino Médio. Porém, muitos se esquecem de se preparar para a redação, que chega a representar 50% da nota final.


E você, sabe como conquistar o avaliador na hora da correção? Especialistas dizem que o primeiro passo é dar um bom título ao texto para motivar a leitura. Se você ainda treinou a criação de títulos para sua redação, mãos à obra. Alguns cuidados precisam ser tomados para construir títulos de impacto. Ele deve ser pensado para refletir a essência do texto, não apenas escrito como algo sem importância.

“O título deve ser a mais completa expressão de um texto. Precisaria ser capaz de sintetizar a ideia essencial do que se escreveu sem ser trivial”, explica o professor adjunto da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), Marcos Lucio Góis.

Além disto, um toque de criatividade pode soar positivo. “É preciso ser criativo para que o título da redação conquiste o leitor e apresente o que vai ser tratado no texto”, afirma o professor da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto), Clézio Roberto Gonçalves.

Fique atento às dicas a seguir para praticar a construção do título para a prova de redação do vestibular:

1 – Última peça do quebra-cabeça

O título é sempre a última parte que se escreve num texto, afinal ele sintetiza a ideia principal. Como, normalmente, a redação passa por alterações durante a escrita, vale a pena deixar para o final o “batismo” da obra. Porém, isso não significa que não se possa começar a escrever o texto com um título prévio.

2 – Seja simples

Não adianta querer mostrar, ou tentar mostrar, erudição ao escrever. O ideal é ser simples, o que não implica ser simplório. Além de correr o risco de deixar o leitor cansado, você pode se perder com as palavras e o título ficar pouco significativo.

3- Atenção ao gênero
Títulos expressam a obra, logo, o gênero interfere na criação. Cada um ao seu modo, o título deve ser certeiro. Na narração, é apresentada uma história em um determinado contexto com personagens, e a descrição deve transmitir uma impressão sobre o objeto em questão e a dissertação deve repassar o ponto de vista pessoal sobre um fato.

4- Brinque com o título

Não faça da formalidade necessária à redação um bicho de sete-cabeças. Expressões coloquiais podem ser empregadas, desde que haja relação com o texto. Nada impede o uso de título figurativo e com expressão.

5 – Verbo é item opcional

Dúvida comum, principalmente para quem está acostumado a ler as manchetes de jornal, é o uso de verbo em títulos. Segundo os especialistas, apesar de dar sentido de ação, não há regra para o uso de verbos nas redações do vestibular.

6 – Padrão

Não vai ser na hora de escrever a redação do vestibular que as normas cultas ensinadas durante dez anos de estudos serão deixadas de lado. Não, mesmo! Demonstre domínio da língua portuguesa: não erre a forma como as palavras são escritas, tampouco na conjugação de verbo e concordância.

7- Entre aspas

Assim como o verbo, não há interferência sobre o uso de aspas no título dos textos. Podem aparecer, principalmente quando remetem a expressões ou neologismos para denotar conhecimento da norma culta.





sábado, 18 de maio de 2013

OFICINA DE MÚSICA


Projeto Rádio CCMusical

Brasil e suas trilhas musicais
Sons, ritmos e cultura!


Homenagem a Braguinha
Cantores do Rádio

“Nós somos os cantores do rádio
Levamos a vida a cantar
De noite embalamos teu sono
De manhã nós vamos te acordar
Nós somos os cantores do rádio
Nossas canções cruzando o espaço azul
Vão reunindo num grande abraço
Corações de Norte a Sul...”

Porque um programa de rádio dentro de uma escola?
A rádio como meio de formação, cultural e educacional no Brasil existe desde sua trajetória inicial quando Edgar Roquette-Pinto fundou a primeira emissora de rádio brasileira, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, em 1923.
Integrar através de um programa de Rádio segmentos do Colégio Cidade,  onde as turmas participam se apresentando, cantando, construindo instrumentos, entrevistando pessoas, utilizando sons, ritmos, melodias, harmonia, poesia, arte, pesquisa do folclore, execução de teatro, estimulo a criatividade, dentro da matéria de educação musical para as séries do 1 º ao 5º ano, foi uma proposta inicial que fiz planejada para o segundo semestre de 2007 nas aulas. 
Integrando as turmas, professores e a comunidade acadêmica.
Seguindo a idéia da rádio livre, o que conta é a relação entre as pessoas que estarão no estúdio (a sala de apresentação da rádio) e a possibilidade da idéia ganhar forma, continuidade, até quem sabe? Integração com a comunidade local?

A Educação Musical e a Rádio
A rádio integra, possibilitando representações na busca de talentos, na ampliação da voz através da microfonia, a exploração corporal trazendo movimentos e ritmos a criação musical, interligação de músicas, a pesquisa da história musical brasileira.  Através de execução de cantigas, coral, dramaticidade, homenagens, leituras de textos, execução de trava-línguas, poesias, audição de musicistas, estaremos integrando formação da personalidade dessas crianças, cidadania e cultura, a educação na descoberta desse veículo de comunicação de massa. 

Conteúdos programados

·         A criança e a música
·         A criança e o movimento na música
·         Música e instrumentos
·         Sensibilização da percepção auditiva
·         Exploração e vivência dos ritmos diferenciados
·         Cancioneiro musical infantil
·         Apreciação musical
·         Criação de instrumentos, jogral, coral 
·         Pesquisa de compositores e da historia da rádio brasileira
·         Movimento corporal e musicalidade
·         Rádio CCMusical

Metodologia

As aulas se desenvolverão a partir de vivências musicais e de trocas de experiências apoiadas em referenciais teóricos, lúdicos e estéticos. Nestas trocas de vivências os alunos terão a oportunidade de exercitar suas habilidades e mostrar seu conhecimento, tomando consciência do seu papel enquanto cidadãos visando um melhor desempenho junto aos colegas e toda a comunidade escolar. 


Como incluímos o Rádio Escola dentro da Educação Musical?

Proposta inicial
·         Apresentei a proposta ao Colégio onde teríamos um cronograma de 4 aulas por mês de 50 minutos por turma durante seis meses de Educação Musical.  Sendo oito turmas de 1 º ao 5 º ano.
·         As aulas administradas em princípio dentro da sala de aula, depois modificadas a um espaço amplo, com quadro e giz, sem carteiras, solicitação minha.   
·         Os recursos didáticos utilizados seriam elementos de existência na natureza ou sucatas para construção de instrumentos artesanais.
·         Recursos Pedagógicos como quadro, folhas, cartazes, gravuras, instrumentos da bandinha musical.
·         Tecnológicos como rádio, toca - cds, gravador, televisão, vídeo cassete, computador, ensino programado, amplificador e microfone.
·         Recursos culturais como biblioteca, visitas a museu, rádio e exposições.
·         Instrumentos musicais diversos foram trazidos para exploração dos alunos como pandeiro, tamborim, triângulo, flauta, reco-reco, teclado, violão.
Desenvolvemos o projeto Rádio CCMusical dividindo  as turmas por tarefas:
·         Cada turma pode desenvolver suas tarefas num período de cinco meses e dentro das propostas, fizeram suas escolhas. 
·         Diante de compositores pesquisados como Villa Lobos, Braguinha, Tom Jobim, as músicas foram selecionadas para apresentação final que ocorreria no sexto mês do trabalho inicial.
·         Músicas do folclore brasileiro como cantigas de rodas de diversos estados foram ouvidas e cantadas (Rio de Janeiro,  Minas Gerais, São Paulo e Bahia).
·         Utilizamos parlendas e trava-línguas cantadas, movimentos e ritmos, com os instrumentos de percussão criados, usando corpo e voz. 
·         Os alunos fizeram pesquisa sobre os compositores apresentados e assuntos referentes a apresentação no programa da Rádio.
·         Propor um passeio dos alunos a Rádio Nacional, com a intenção do melhor entendimento da proposta, através da realidade vivida numa rádio,
·         A construção de instrumentos de percussão como chocalhos e tambores, no último mês, envolveu aulas de Educação Artística. 
·         Pesquisa referente aos assuntos dos interesses comuns dos alunos, como os animais frequentemente encontrados no Campos do Colégio (Sagüis transmissores de raiva e outras doenças, estão proliferando descontroladamente) e assuntos como a mudança do tempo e cuidados com o planeta terra, foram incluídos na apresentação do programa Rádio.
·         Propor pesquisa na biblioteca e na internet onde projetos de rádio escola já estejam implantados
·         Alguns alunos se propuseram a fazer a audição da música escolhida aos seus colegas, mobilizando na turma o diferencial de conteúdos apresentados.
·         Dramatizações também foram incluídas nas histórias cantadas, como na apresentação da música do folclore  “Castelo” e a história cantada de “Chapeuzinho Vermelho” uma homenagem a Braguinha.

Culminância, “O dia da Rádio Ccidade”
Fizemos um evento onde todas as turmas integradas se apresentaram.  A  equipe de professores e alunos do ensino fundamental do 1˚ ao 5˚ ano participaram.  Alunos da Educação Infantil foram convidados ao evento.  Encerrando com o programa Rádio CcMusical o ano letivo.
Todos cantavam“Abre a roda, o tin do lê lê” assim que iam chegando as turmas.
Iniciamos com a homenagem a Braguinha, cada turma tinha seu locutor que apresentava as ações do seu grupo no microfone.
O 1 ° ano se apresentou cantando e dançando duas músicas da Cia Bola de Meia “Canoa, Minha Canoa”.
O 2° ano se apresentou com a história cantada dramatizando “Chapeuzinho Vermelho” e com instrumentos, ritmos com o corpo com dança da “Catira” Cia Bola de Meia,“Canoa, Minha Canoa” .
 O 3 ° ano se apresentou cantando as músicas com  instrumentos. Cantaram o“Fernando Sétimo” e “Mané Pipoca” com corpos em  movimentos.    Apresentação da música do “ABC” gestos em grupo de mãos.
O 4 ° ano se apresentou com entrevistas, parlendas, trava-línguas.  Cantaram os  “Cantores do Rádio”,  “O Camaleão” do folclore brasileiro com o corpo e instrumentos de percussão. E dramatizarm num coral o “Castelo” do Cd “Eu quero a minha mãe” de Hamilton Catete.
 5 ° ano se apresentou cantando a música do Ponto de Partida & Meninos de Araçuaí, “ Pra Nhá Terra”,  Estrelada. Milton Nascimento e Márcio Borges. Um linda homenagem a Terra.
Continuidade, Avaliando resultados
·         Incluímos o projeto Rádio CCMusical dentro da proposta Escolar do ensino fundamental do 1° a 5° ano.  
·         O projeto ainda está em fase inicial de implantação, dentro do espaço escolar, os alunos produzem, criam propostas de apresentação cantando, dançando, construindo instrumentos, dramatização histórias cantadas, fazendo pesquisas, entrevistas, desenvolvendo a conscientização sobre si mesmo e o meio ambiente. 
·         Poderemos futuramente integrar a proposta junto a comunidade ao a RádioWeb já implantada em outro segmento do Colégio.
·         Esperamos que na expressando dos sentimentos, através da Educação Musical e da  mídia “rádio-arte”, o aluno saia da comunicação escolar, se integrando ao mundo.
·         Pretendemos que o programa saia da hora do recreio e da sala de aula.
·         Tendo em vista que os alunos participaram ativamente no processo da construção desse início, com dúvidas, questionamentos, selecionando ações, atuando e agindo de forma crítica, interativa.
·         Estudando novas mídias, que poderá ocorrer na hora do recreio, criando músicas e sons para exposição a comunidade escolar buscando e  integrando valores éticos, filosóficos as questões da vida.
·         No nosso caso o projeto apenas inicial, o projeto está sendo implantado, daremos continuidade no próximo ano de 2008.
·         A idéia é que os estudantes possam fazer uso da Rádio Escola CCMusical construindo propostas de cidadania.  Integrando áreas como saúde, meio ambiente, música e artes engajando os alunos em projetos de colaboração para a melhoria das relações entre as pessoas.
A importância da Educação Musical nas escolas.

Muito se diz sobre a música e as canções brasileiras, e formas de educar musicalmente em nosso país, através das cantigas de roda.  A cultura brasileira perpetua-se nas rodas, cantigas e danças regionais. 
Os tempos, compassos, ritmos, harmonias serão lembranças e alegrias vividas que introduzem as crianças no universo musical.  E posteriormente, o caminho para tocar um instrumento, cantar e aprender a notação musical.
Fazemos isso e formamos nossas crianças a percepção e a sensibilidade musical.



ºA rádio web e a rádio na Escola.

 A proposta da Rádio web na escola integra várias áreas do conhecimento.  Unindo matérias como Artes, Português, Educação Física, Ciências e Meio Ambiente.

O desenvolvimento da proposta vem com o planejamento bimestral das atividades.
O professor de música deverá motivar os colegas professores a integrar a proposta criando o interesse geral nas atividades realizadas.

A proposta engajada com as outras matérias:

Meio ambiente, por exemplo, a criação de música a partir de ensinamentos sobre a poluição do nosso rio morto.  Partindo da elaboração da turma do 5º ano, divididos em grupos, criamos letras e selecionamos a que mais agradou a todos, para nos apresentarmos na rádio. 
Outra experiência que aconteceu quando uma professora de matemática do 4º ano acompanhava o trabalho de música da turma, com cantigas de roda.
Solicitei que os alunos mudassem a formação de roda, círculo, para outras figuras geométricas.  As crianças cantavam, dançavam e formavam figuras como: triângulo, quadrado, retângulo, hexágono nos seus grupos.  Os alunos dançando e cantando ao mesmo tempo fazendo formas geométricas em rodas.  Isso serviu para a ampliação e interesse da professora pelas atividades, e fez com que essa professora também entrasse na roda.
O desafio serviu para que essa professora também entrasse nas atividades posteriores como cantar com a turma as músicas da apresentação na rádio. 

As atividades que seriam incluídas na proposta do semestre para integrarmos os programas da rádio seriam:
1-    Entrevistas
2-    Pesquisas
3-    Cantigas de roda
4-    Estórias cantadas
5-    Danças típicas e suas apresentações
6-    Apresentações dos alunos, suas turmas com seus instrumentos criados.
7-    Audição de compositores reconhecidos mundialmente.
8-    Criação musical e apresentação dessas músicas, melodias e letras, realizadas pelas crianças..
.
O planejamento que incluímos nesse 1º semestre de 2008, foi à música e seu tempo.
Como iniciamos com o histórico da Rádio no Brasil, e falamos de Braguinha, “Era de Ouro” do carnaval brasileiro (1930/1942).partimos depois para o universo musical através dos tempos nos anos 60 e aprendemos também músicas da Bossa Nova, ouvimos Vinícius de Moraes, Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim Tom Jobim, pesquisamos e cantamos as músicas como: “Samba do Avião”, “Garota de Ipanema”, “Samba de uma Nota Só”, “Águas de Março”, homenageando os 50 anos de Bossa Nova.

Nossas aulas continuaram no caminho do tempo no próximo semestre apresentaremos com as turmas do 2º e 3º ano, os anos 70, com as músicas: “Bolinha de Sabão” e “Vestido Azul” respectivamente.

Também incluímos uma homenagem e pesquisa sobre o maior compositor das Américas, o grande Villa Lobos. 
Estudamos e lemos sobre sua obra.  A influência de sua música a repercussão mundial de seu trabalho, divulgando a nossa cultura brasileira. 
Criamos com as turmas do 4º ano o nosso “Trenzinho Caipira” em homenagem a sua Tocata ( O Trenzinho do Caipira). 
Tocados com instrumentos de percussão, fizemos o efeito do Trem partindo e chegando a estação.  Homenagem que ainda apresentaremos aguardando o próximo semestre.

Avaliando os resultados:

A proposta do projeto Rádio na escola, ainda está sendo implantada.  
A aplicação de todo projeto, gera mudanças na estrutura organizacional do sistema educacional. 
Acredito que com o apoio da Direção, da coordenação, dos professores e dos alunos, chegaremos a um resultado satisfatório. 
Onde a rádio escola, funcionaria como veículo de integração social interna e externa com outros segmentos sociais, e expandindo-se assim de rádio na hora do recreio para a rádio web do colégio ao mundo.


Gisele Sant’ Ana Lemos
Professora de Educação Musical nos Colégios: CapUniverCidade e Escola Bloom de Educação Bilíngüe.

O PESO DO ESTERIÓTIPO


Leitura e interpretação de texto
Esfera Jornalística – Artigo de Opinião
O peso do estereótipo

No que se refere aos distúrbios da alimentação podemos dividir a humanidade em dois grandes grupos, aquelas que comem de menos e aqueles que comem demais. Os primeiro compreendem aqueles para os quais falta comida – os habitantes do Terceiro Mundo – e aqueles que, mesmo dispondo de alimento, recusam-no por razões emocionais. A abundância de comida e a voracidade, por sua vez, geraram o problema da obesidade, que, mesmo em países como o Brasil, é hoje uma questão de saúde pública.
A extrema obesidade está associada a diabetes, hipertensão arterial, doença cardiovascular, problemas articulares. E resulta numa imagem corporal que não é das mais agradáveis – ao contrário do que acontecia no passado, quando a maior ameaça era representada pela desnutrição. Mulheres gordinhas eram valorizadas, como se pode ver nos quadros de Rubens ou de Cézanne. Na época deste último, o grande espectro era a tuberculose, comumente associada à extrema magreza. Pela mesma razão, na cultura hotentote são valorizadas mulheres com nádegas grandes; a gordura ali depositada equivale a uma “poupança” mais importante que qualquer poupança bancária.
As coisas mudaram: “You can never be too rich or to thin” é um dito corrente nos Estados Unidos. Ou seja: excesso de riqueza ou de magreza não prejudica. Riqueza é símbolo de sucesso, magreza é a imagem da elegância. O corpo transformou-se num objeto a ser exibido. E isso resulta num conflito: de um lado está a indústria da alimentação, com toda a sua gigantesca propaganda; assim, ninguém mais vai ao cinema sem levar junto um contêiner com pipocas (como s e a pessoa não pudesse passar duas horas sem comer). De outro lado, temos o estigma representado pela obesidade. O resultado é um conflito psíquico que se manifesta de várias maneiras, mais notavelmente pela anorexia nervosa.
Que não é coisa nova. Já na Idade Média, Santa Catarina de Siena tornou-se famosa por evitar o alimento. Comia pouquíssimo, apenas o suficiente para não morrer de fome. Mas a razão ali era religiosa; voracidade era pecado, contenção alimentar era virtude. O conflito emocional que leva à anorexia é de outra natureza, e bem mais recente. Até os anos 50 a anorexia nervosa era pouco mais que uma curiosidade médica. Mas em meados dos anos 70 um estudo mostrava que cerca de 10% das adolescentes suecas eram anoréxicas. Em 1980 os transtornos psicológicos da alimentação já eram um dos problemas mais frequentes entre as jovens universitárias americanas. O gênero, no caso, é fundamental porque anorexia é muito mais frequente entre moças. Também é importante a classe social: a classe média é mais propensa a ela que os pobres.
Estudar a anorexia e outros distúrbios alimentares tornou-se prioridade médica. Aqui é preciso destacar o papel pioneiro da psiquiatra americana Hilde Bruch, nos anos 70. Baseada em vasta experiência, Bruch mostrou que a anorexia resultava de um conflito entre o desejo de atender às expectativas sociais de uma silhueta esbelta e a vontade de comer, fomentada pela mídia. E por que isso é mais frequente no sexo feminino? Porque, diz Bruch, os rapazes têm outras formas de expressar seus conflitos, através da revolta juvenil, por exemplo. Entre as garotas, o perfil familiar também é importante. A anoréxica vem de uma família em que o pai ou a mãe, ou ambos, são pessoas bem-sucedidas, ambiciosas, preocupadas com aparência física e a pressionar a filha para ser esbelta e elegante. O resultado pode ser uma sobrecarga emocional insuportável, com consequências devastadoras, até porque a anorexia pode se acompanhar de distúrbios hormonais graves. E não raro a jovem necessitará de acompanhamento terapêutico especializado.
Em termos de peso corporal, como em relação à carga emocional, o ideal não é nem a falta nem o excesso. O ideal é o equilíbrio, mas para isso a sociedade precisa se conscientizar dos problemas representados pelos estereótipos que cria.
Revista Viver – Mente & Cérebro, ano 13, n.152.

INTERPRETANDO:
1) Por meio de um esquema de identificação das informações parágrafo a parágrafo, vamos destacar as ideias principais do texto:
1º parágrafo: distúrbios da alimentação
Aqueles que comem menos.
2)
Aqueles para os quais falta comida.
1)
3)
2º parágrafo: consequências da obesidade
4)
5)
No passado, ao contrário...
6)
7)
3º parágrafo: conflito resultante da transformação do corpo em objeto a ser exibido
A gigantesca propaganda feita pela indústria da alimentação
8)
RESULTADO:
9)
4º parágrafo: a anorexia através do tempo
Até os anos 50 era uma curiosidade médica.
10)
11)
5º parágrafo: causas da anorexia, segundo Hilde Bruch
Conflito entre
12)
13)
14)
Por que ocorre mais entre meninas?
O perfil familiar da garota pode colaborar.
Resultado
15)
6º parágrafo: opinião final do autor diante do quadro apresentado no artigo.
FONTE: CAMPOS, Elizabeth. CARDOSO, Paula Marques. ANDRADE, Sílvia Letícia de. VIVA PORTUGUÊS 9º ANO. 2.ed. São Paulo: Ática, 2010.
COMPREENSÃO
1- Qual é o tema tratado no texto?
2- Segundo o texto, quais são as causas que geram o problema da obesidade?
3- De acordo com o texto, quais são os problemas de saúde associados à obesidade excessiva?
4- Por que, na sociedade atual, a característica da magreza é valorizada? O que esse aspecto corporal simboliza?
5- Explique o conflito pelo qual as pessoas passam atualmente, diante da indústria da alimentação e da pressão pela adequação ao modelo de magreza defendido pela moda.
6- O texto aponta uma das consequências do conflito psíquico pelo qual algumas pessoas atravessam, diante das tentações da alimentação e do objetivo de serem magras. Qual é essa consequência? Justifique sua resposta.
7- A anorexia é uma doença que apareceu somente no século XXI? Justifique sua resposta.
8- Segundo o texto, a família das meninas exerce influencia sobre a questão da anorexia? Explique sua resposta.
9- No ultimo parágrafo do texto, o autor conclui suas ideias. Qual é o princípio ideal que as pessoas devem adotar em relação ao peso corporal e à carga emocional?
10- O autor do texto se mostra favorável ou contra aos estereótipos de magreza criados pela sociedade? Justifique sua resposta.
Abril 2013 Prof. Jerônimo (Material retirado do portal das letras)