Tratar do tema importante ou ater-me à minha disciplina?
Há alguns anos percebo que nós, professores chamados “especialistas”, às vezes nos
envolvemos tanto nas nossas áreas de atuação que acabamos perdendo a visão do todo na
escola. Precisamos repensar nossa posição com cuidado, mas não apenas nela.
envolvemos tanto nas nossas áreas de atuação que acabamos perdendo a visão do todo na
escola. Precisamos repensar nossa posição com cuidado, mas não apenas nela.
Estou usando aqui o termo “especialista” para designar os docentes das disciplinas específicas como Ciências, Língua Portuguesa, Geografia etc., que atuam no Ensino Fundamental 2 e no Médio. Neste contexto, o termo serve para distingui-los dos “polivalentes”, isto é, aqueles que ensinam no Ensino Fundamental 1 e que tratam das diferentes áreas sem que elas estejam divididas, de fato, em disciplinas.
(Não sei se esses são os melhores termos para designar esses profissionais. Alguns podem
achá-los pejorativos, preconceituosos ou simplesmente incorretos; contudo, são termos
correntes nas escolas em que eu atuo, na cidade de São Paulo.)
achá-los pejorativos, preconceituosos ou simplesmente incorretos; contudo, são termos
correntes nas escolas em que eu atuo, na cidade de São Paulo.)
O que tenho percebido é que, ao escolhermos os assuntos que trataremos em aula, nós
“especialistas” acabamos ignorando temas essenciais com a desculpa de que nada têm a ver com nossa área.
“especialistas” acabamos ignorando temas essenciais com a desculpa de que nada têm a ver com nossa área.
Para ilustrar o meu ponto de vista, vamos imaginar uma situação. Imaginemos que a coordenadora pedagógica da EJA, no Ensino Médio de uma escola, proponha que se aborde o tema da violência doméstica. Conversando com os alunos, ela descobriu que esse é um problema muito presente na comunidade onde está a escola.
Analisando dados nacionais, notou que a violência doméstica aparece em todas as classes
sociais e todas as regiões do país. A questão é complexa e tem várias facetas. Portanto, parece ser um tema muito interessante para ser discutido na escola de maneira interdisciplinar.
sociais e todas as regiões do país. A questão é complexa e tem várias facetas. Portanto, parece ser um tema muito interessante para ser discutido na escola de maneira interdisciplinar.
O professor de Língua Portuguesa se anima: “Esse é um ótimo tema para abordar. Como
há vários artigos de opinião sobre ele, poderei discutir com os alunos a estrutura do texto
argumentativo.”
há vários artigos de opinião sobre ele, poderei discutir com os alunos a estrutura do texto
argumentativo.”
A de História se junta a ele: “Existem muitos casos de violência doméstica no passado. Seria interessante analisarmos como isso vem mudando ao longo do tempo.”
A professora de Química, contudo, se manifesta: “Não posso ajudar nesse trabalho, pois minha área não tem nada a ver com violência doméstica!”
Já vivenciei situações muito semelhantes a essa na minha vida profissional. O exemplo traz alguém da área de Química, mas poderia ser de qualquer área. A questão que trago para nossa reflexão é: na EJA, os “especialistas” devem priorizar o trabalho em suas disciplinas específicas ou colaborar para a discussão de temas mais amplos e mais significativos?
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